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3 de fev. de 2011

Cinelista: As 10 Melhores Cenas de Striptease do Cinema


10) Jamie Lee Curtis em “True Lies” (1994)

“C*r*lh*, essa aí é a irmã do Michael Myers?!”, admira um adolescente de 15 anos. Do clássico de John Carpenter para um dos filmes de ação mais marcantes e mentirosos (a evidência está até no título) dos anos 90, a sensacional Jamie Lee Curtis não deixou sua imagem restrita apenas à rainha do grito que deu vida nos dois primeiros capítulos da série “Halloween” – depois voltaria 20 anos depois em mais duas sequências desnecessárias. A filha de Tony Curtis e Janet Leigh vingou no cinema revelando um timing cômico surpreendente, como o conferido em “True Lies”, filme do na’vi James Cameron antes de afundar o navio. Sinceramente, eu não conseguiria pensar em outra atriz para protagonizar essa sexy e divertida cena com a mesma desenvoltura com que Curtis a domina. Difícil é desgrudar os olhos de seu corpo perfeitamente esculpido, mas se o leitor conseguir, vai perceber nas próprias expressões da atriz que, por trás de toda a sensualidade desfilada pela personagem, esconde ali uma excelente comediante que está, obviamente, se divertindo. E não posso deixar de comentar as caras de sonso de Arnold Schwarzenegger, provando que nem para admirar a dança naturalmente hipnotizante, o cara convence.



9) Michael Ontkean em “Vale Tudo” (1977)

Talvez não seja o melhor filme de esportes, mas certamente o original “Vale Tudo”, dirigido por George Roy Hill, é um dos mais engraçados, feel good movies politicamente incorretos que já vi. É de se surpreender Paul Newman em um papel despretensioso como o técnico de hockey sarcástico e inesquecível pelas suas tiradas ofensivas dirigidas aos jogadores que treinava ou a quem pretendesse prejudicar seu time. No entanto, ainda com a contribuição do eterno “indomável” engrandecendo o filme, “Vale Tudo” não teria o mesmo apelo se não contasse com um ótimo time de comediantes em total sintonia, que dão o tom certo ao projeto. Entre eles, Michael Ontkean e seu striptease na pista de gelo enquanto os adversários se esmurram pelos desentendimentos da partida. Com o apoio da banda e aprovação do público feminino presente na arquibancada, Ontkean liga o “foda-se” para a competitividade do jogo fracassado e faz o seu show particular em uma cena hilária que desmoraliza a seriedade com que são encarados os torneios esportivos. Score!



8) Demi Moore em “Striptease” (1996)

Com merecimento, “Striptease” foi o grande vencedor do Framboesa de Ouro em 97, abocanhando 6 troféus, incluindo Pior Filme e Pior Diretor. Andrew Bergman, que dirigiu a parafernália, até foi receber pessoalmente a distinção pelo seu trabalho. Esse Cinelista não tem a intenção de avaliar o resultado da obra, e sim, levantar as melhores cenas de striptease do cinema. E, justiça seja feita, seria uma marmelada a ausência deste filme no ranking. Sem dublês, Demi Moore deixa o público do clube onde trabalha para levantar uma grana com o queixo caído, o que inclui Burt Reynolds dando aulas de canastrice. A performance selvagem e explosiva da dança atrelada ao “conjunto da obra” de Moore proporcionam a cena-chave da história, talvez a única que preste no meio disso tudo.



7) Linnea Quigley em “A Volta dos Mortos Vivos” (1985)

Quigley é considerada uma rainha dos filmes B dos anos 80. Entre seus sucessos, estão “A Noite do Demônio” e o aclamado pelos alternativos “Hollywood Chainsaw Hookers”, que conta a história de uma gangue de prostitutas armadas com serras elétricas para se defenderem dos clientes mal intencionados. How cool is that? Entretanto, Linnea Quigley só conseguiu esses papeis depois da ótima repercussão de sua Trash – o nome já diz muita coisa –, uma garota punk, de cabelos vermelhos e maquiagem pesada, que junto aos amigos, tentam fugir dos cadáveres ressuscitados por um gás tóxico na pacata Louisville em “A Volta dos Mortos Vivos”. A cena mais marcante do filme e que elevou a atriz à adoração dos nerds punheteiros foi a sequência em que, filosofando sobre a sensação de ser devorada por um zumbi, sobe em uma túmulo no cemitério e faz um striptease bizarro e escandaloso para a sorte daquelas criaturas que ainda não tiveram seus olhos consumidos por vermes terrestres. A cena é inesperada e fantástica, virou um clássico do trash. Na real, a atriz tem uma aparência meio piranha, mas gosto de sua personagem diferente neste filme, que não é a loira peituda, sempre em perigos. Isso se chama diversificar as opções artísticas. Ou não.

O YouTube não tem o vídeo disponível da cena específica do striptease, infelizmente, mas este é o início e já dá uma boa amostra do que esperar.



6) Kim Basinger em “9 ½ Semanas de Amor” (1986)

A cena do striptease de Kim Basinger em “9 ½ Semanas de Amor”, no auge de sua beleza, é icônica. Foi a partir daí que a música “You Can Leave Your Hat On” na voz do cantor Joe Cocker se tornou a clássica trilha sonora para tirar a roupa na frente do(a) companheiro(a). Um ambiente com a fotografia mergulhada em sombra propositalmente para não revelar tudo – talvez esse o segredo do melhor striptease: o não mostrar tudo –, a roupa que acompanha os movimentos do corpo perfeito e... Kim Basinger, né, acho que nem preciso ficar me prolongando sobre a beleza enfática da atriz, que, até hoje, aos 57, bate um bolão. Daí o leitor se pergunta: “oras, se a cena é tão boa assim, então por que está na 6ª posição”. Eu respondo: “Mickey Rourke”. Todo mundo está “entusiasmado” com o strip de Basinger e temos que aguentar o macaco de circo do Rourke, que mais parece estar assistindo a um filme de Chaplin ou fazendo caretas para um bebê sorridente do que vendo a atriz dançar, de tão over e mané que está em cena. Ao menos, Schwarzenegger na 10ª posição não rebaixava a cena; aqui, Rourke a torna semi-brochante. Troféu Abacaxi pra ele e para o diretor Adrian Lyne, que deve gargalhar quando sua esposa decide tirar a roupa e talz.



5) Sophia Loren em “Ontem, Hoje e Amanhã” (1963) e “Prêt-à-Porter” (1994)

O tempo foi muito generoso com Sophia Loren, uma das atrizes símbolos, talvez a mais importante, do cinema italiano em sua época de ouro. Aliás, a safra italiana de atrizes daquela época era praticamente insuperável no quesito beleza, vide Claudia Cardinale, Silvana Mangano, Sandra Milo, Giulietta Masina... a lista é farta. Em 1963, interpretando a prostituta solidária Anna na terceira parte da comédia “Ontem, Hoje e Amanhã”, do mestre Vittorio de Sica, Loren atende ao pedido de seu cliente fiel, Marcello Mastroianni – este foi o 4º filme dos 13 que o casal dividiria a cena –, e faz um striptease para inveja das espectadoras e delírio do público masculino, incluindo o diretor Robert Altman. Tanto é que trinta anos depois, o cineasta fez uma dobradinha de striptease com Loren e Mastroianni como voyeur em uma passagem de “Prêt-à-Porter”, homenageando o saudoso de Sica, mas “invertendo” os papéis, como se o homem, dessa vez, se vingasse ao que a personagem lhe fez no filme de 63. Além de um corpo que dispensa adjetivações, o sorriso de Sophia Loren e seus olhos grandes de felina encantam qualquer um. Eu também uivaria que nem um idiota rs.



4) Rebecca Romijn em “Femme Fatale” (2002)

“Sério que essa é a Mística do X-Men”, admira o mesmo adolescente de 15 anos. E finaliza: “vou pro quarto. Não esperem por mim”.

Fim da história.



3) Abigail Breslin em “Pequena Miss Sunshine” (2006)

Eu já coloquei um homem na lista, agora uma criança? Sinto-me obrigado a relembrar o leitor de que o tema dessa Cineslita é elencar as 10 melhores CENAS de striptease do cinema, e não a mais sensual. Embora isso conte pontos para algumas, este, obviamente, não é o caso. São várias as explicações para Abigail Breslin estar muito bem posicionada, tanto pela sua dança inocentemente perversa até a resolução da cena, que é fantástica. Mas talvez o principal motivo seja o “suspense” criado em torno do filme sobre a apresentação da garota nesse maldito concurso freakshow e o espectador se deparar com uma criança linda, real, sincera, obediente, uma criança de verdade que só quer subir no palco e mostrar o seu melhor. A cena é hilária e comovente ao mesmo tempo. “Pequena Miss Sunshine” é um dos filmes mais bacanas e acolhedores visto nos últimos anos, e sem Abigail Breslin nada disso existiria.

Ah, perdoem a versão dublada em italiano da cena, é que Fox retirou o vídeo original do YouTube, provavelmente porque ninguém mais locava o filme por já saber o final.



2) Jane Fonda em “Barbarella” (1968)

“Barbarella” é um filme esperto. As mulheres vão querer assistir porque a protagonista é uma heroína, uma figura forte, mas que não se abdica de sua beleza e feminilidade. E os homens vão querer ver porque... bom, porque não tem melhor maneira de conquistar o público masculino no cinema do que exibir um striptease de Jane Fonda já nos créditos iniciais. Pronto, sucesso garantido. Mas, curiosamente o filme foi um fracasso retumbante nas bilheterias da época de seu lançamento e foi o tempo que o elevou a status de cult. A cena é engraçada pelo amadorismo dos efeitos visuais e hilária pela maneira sensual em que a personagem-título arranca sua roupa de astronauta quando não tem ninguém a observando, sendo o único striptease da Cinelista que não tem um espectador. Sem dizer que tirar a roupa, fazer contorcionismos e exibir esse belo corpo com gravidade zero não é privilégio de muitos; a única que vi fazendo até hoje foi Ba-Ba-Barella. Um clássico obrigatório.



1) Robert Carlyle, Mark Addy, Tom Wilkinson, Paul Barber, Steve Huison e Hugo Speer em “Ou Tudo Ou Nada” (1997)

O que eu deveria comentar aqui? Que essa é uma das melhores comédias dos anos 90 e que esse final, especificamente, é um dos mais engraçados do cinema? Play!


31 de dez. de 2010

Cinelista: 10 fatos que marcaram o cinema em 2010


10) O assassinato de Ronny Chasen




Considerada uma das mais influentes figuras de Hollywood durante a acirrada temporada de premiações, a veterana divulgadora Ronny Chasen praticamente se tornou vítima de um típico filme de Alfred Hitchcock. Em Los Angeles, após conferir a première de “Burlesque”, no dia 15 de novembro, a relações públicas voltava para casa em seu suntuoso Mercedes preto rumo a Westwood, localizado no condado de Beverly Hills, quando, durante a silenciosa madrugada, cinco tiros cravaram seu peito e o carro da estrategista foi encontrado colidido a um poste de luz. Alguns moradores da famosa Sunset Boulevard – onde ocorreu o homicídio – chamaram socorro, mas, inconsciente, Chasen não resistiu aos ferimentos e morreu a caminho do hospital. O mistério envolto a este assassinato é absoluto. A polícia prossegue com as investigações, mas ainda não foram levantados suspeitos, sabe-se apenas que este foi um caso premeditado, excluindo qualquer possibilidade de uma discussão no trânsito ou algo semelhante. A pergunta que fica é: por que e quem encomendaria a morte de uma profissional de marketing especializada em cinema em pleno início da Corrida pelo Ouro?


9) Sandra Bullock vai ao Razzies

Alguns consideraram um absurdo, mas quem acompanha a corrida e as discussões no fórum do site oficial do Framboesa de Ouro sabe que Bullock era franca favorita ao prêmio de Pior Atriz pela tragédia grega “Maluca Paixão”. A única que fazia concorrência a ela era Megan Fox, duplamente indicada por “Transformers: A Vingança dos Derrotados” e “Garota Infernal”. Os envelopes do Razzies foram abertos tradicionalmente um dia antes do Oscar e os membros concederam a Sandra Bullock o título de Pior Atriz do ano. A comediante foi pessoalmente receber a “estatueta” pelo seu desempenho medíocre no filme de Phil Traill e, levando o “reconhecimento” na esportiva, fez um discurso engraçado – mais que o próprio filme –, levando o roteiro para ler junto ao público que assistia à cerimônia e trazendo em uma carriola DVDs de “Maluca Paixão” para distribuir aos presentes na festa. Curioso que no dia seguinte, Bullock seria agraciada com um Oscar de Melhor Atriz pelo filme “Um Sonho Possível”. Abaixo, o vídeo de “agradecimento” de Sandra Bullock na cerimônia do Framboesa de Ouro.




8) A ‘infelicidade’ de Arnaldo Jabor



Depois de mais de 20 anos sem filmar, dedicando-se exclusivamente às atividades jornalísticas, o polêmico Arnaldo Jabor quebra o jejum cinematográfico e lança “A Suprema Felicidade”, filme semi-autobiográfico que reúne algumas passagens e experiências de vida do autor em fases diferentes, desde a infância até a juventude. Com grande expectativa sobre o retorno de Jabor ao cinema, o filme acabou dividindo a crítica especializada. Enquanto o bonequinho do O Globo aplaudiu em pé, tantos outros desceram o sarrafo na última aventura do cineasta/jornalista nas telonas. Visto o insucesso com os críticos brasileiros, Jabor dedicou seu espaço no O Estado de São Paulo – que, claro, concedeu 4 estrelas ao filme – para desmoralizar os atuais profissionais da área e classificá-los como uma “patrulha pop” ignorante e rancorosa. Parte de sua coluna foi direcionada a Eduardo Escorel – irmão de Lauro Escorel, diretor de fotografia do filme –, que criticou negativamente “A Suprema Felicidade” para a revista Piauí. Arnaldo Jabor tinha todo o direito de resposta ao sair em defesa de seu “filho”, mas o mesmo se revela um imbecil por escrever um artigo reacionário, presunçoso, prepotente e tão desnecessário quanto o seu filme.


7) O fogo contra fogo dos bons companheiros



A sétima posição não representa necessariamente um “evento”, mas a notícia deixou cinéfilos de todo o mundo com o coração palpitando quando souberam da reunião de duas figuras importantíssimas, cuja parceria rendeu obras-primas incontestáveis na história do cinema. Martin Scorsese e Robert De Niro are back, bitches! O reencontro será no filme “The Irishman”, que se encontra em fase de financiamento e tem previsão de início das filmagens já no primeiro semestre de 2011. Como se não bastasse Scorsese e De Niro juntos novamente, foram confirmadas as presenças de outros dois atores que fizeram fama e obteram reconhecimento por trabalharem com “Scorsa” no passado: os talentosos Joe Pesci e Harvey Keitel. Além do quarteto fantástico, a inclusão de Al Pacino no elenco também foi decisivo para posicionar o anúncio dessa junção de feras nesta Cinelista dos maiores destaques do ano. As expectativas estão nas alturas. Só esperamos que “The Irishman”, escrito pelo oscarizado Steve Zaillian, esteja mais para “Fogo Contra Fogo” do que para “As Duas Faces da Lei”. Mas com Scorsese na condução, eu não tenho dúvidas de que Michael Mann terá um rival à altura.


6) O desânimo dos principais festivais



Atualmente, Berlim, Cannes e Veneza representam a divina trindade dos festivais de cinema. O calendário dos mais representativos eventos cinematográficos dá a largada em fevereiro, com a congelada semana da Berlinale. A segunda quinzena de maio é o tradicional período em que a Croisette fica pequena diante de tanto talento no conceituado Festival de Cannes. Por fim, Veneza encerra a entrega dos objetos “de ouro” – urso, palma e leão –, geralmente em setembro. Presidido pelos diretores Werner Herzog, Tim Burton e Quentin Tarantino, respectivamente, as escolhas dos principais vencedores das edições deste ano não foram aprovadas pela maioria dos críticos, além de terem sido massivamente criticadas pelo público presente, que apontaram outras produções mais merecedoras de prêmios e presentes na seleção oficial. Considerado inexpressivo e decepcionante – a julgar pelo resultado final –, definitivamente, 2010 não foi um ano de prestígio em se tratando dos (mais aguardados e queridos) festivais. “Um Doce Olhar” – vencedor em Berlim – já foi lançado nos cinemas brasileiros. Resta conferir “Tio Boonme, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas” (Cannes) e “Um Lugar Qualquer” (Berlim) para constatar se o ouro foi mesmo parar em mãos erradas.


5) Jô Soares entrevista Francis Ford Coppola


Vergonha é pouco. Abra um vinho e aperte o play rs.




4) Kathryn Bigelow rompe com suposto “machismo” da Academia



Acima do marketing extraordinário que antecipou sua vitória no Oscar, a norte-americana Kathryn Bigelow foi consagrada com a estatueta dourada, sobretudo, por merecimento, tornando-se a primeira diretora a ser reconhecida nesta categoria. Uma das curiosidades de sua nomeação é que um dos seus concorrentes foi seu ex-marido, James Cameron, diretor de “Avatar”, com quem manteve um relacionamento de quase dois anos. Muitos veículos afirmaram que a Academia é machista neste sentido, tendo indicado apenas 4 diretoras em todos esses 82 anos de premiação – as demais foram Lina Wertmüller por “Pasqualino Sete Belezas” (1977), Jane Campion por “O Piano” (1993) e Sofia Coppola por “Encontros e Desencontros” (2004) –, mas não observo dessa forma, visto a quantidade desproporcional e majoritária de homens nessa função. Premiada pelo seu soberbo trabalho de condução pelo pungente e corajoso “Guerra ao Terror”, Bigelow faz história no cinema e abre caminho para a classe feminina de cineastas ser mais reconhecida pelos seus esforços. Mais do que a premiação de uma mulher, a vitória da diretora representa um avanço em muitos sentidos, incluindo artístico.


3) “Avatar” e sua bilheteria de outro planeta



O filme é de 2009, mas sua grande conquista em termos monetários foi alcançada em 2010, mais precisamente na última semana de janeiro. A ficção-científica futurista “Avatar” superou o faturamento nas bilheterias do romance “Titanic” e quebrou recordes mundiais, arrecadando até essa data, “modestos” US$ 1,85 bilhões. Mas não parou por aí. O filme ficou em cartaz nas salas de exibições ainda por muitos meses em todo mundo, tamanho popularidade entre o público, o que se revelou um verdadeiro fenômeno. No total, segundo o site Mojo, “Avatar” arrecadou nas bilheterias worldwide em torno de US$ 2,7 bilhões. Nada mal para um filme que custou US$ 500 milhões, sendo 40% do orçamento direcionados a campanhas publicitárias. A tecnologia 3D, com que “Avatar” foi concebido originalmente e foi até uma técnica bem popular em 2010, ajudou nos resultados expressivos de faturamento, mas não foi o único fator – talvez o principal. Todo o mundo ficou encantado – ao menos, curioso – com os Na’vis e o universo místico de Pandora e, para alguns espectadores, foi uma experiência inesquecível. Superar “Avatar” nas bilheterias vai ser um trabalho difícil, talvez só o próximo filme em 3D do próprio James Cameron.


2) O corajoso cinema iraniano

Não apenas entretenimento e arte, mas o cinema também pode ser usado como uma poderosa ferramenta de denúncia dos mais diversos âmbitos. Não é de hoje que bravos cineastas do Irã filmam projetos de forte cunho político-social, que mesmo sem explicitar mensagens direcionadas, suscitam a dúvida de uma crítica ferrenha ao método de governo vigente do país. Seguindo os passos do neoditador da Venezuela, Hugo Chávez, o atual presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, determinou a censura de diversos filmes iranianos que são considerados subversivos, pois se posicionam contrários à ditadura que o reacionário Ahmadinejad está instaurando na nação. Abaixo, um vídeo do cineasta Bahman Ghobadi, diretor de excelentes filmes como “O Círculo” e “Tartarugas Podem Voar”, incentiva os internautas a baixarem gratuitamente sua última produção, “Ninguém Sabe dos Gatos Persas”, que retrata a repressão no Irã e foi proibida sua exibição nos cinemas do país.



“Olá, meu querido povo iraniano. Aqui é Bahman Ghobadi, diretor deste filme, ‘Ninguém Sabe dos Gatos Persas’. Estou muito orgulhoso de que você possa assistir ao meu filme sem pagar nada (...) No Irã nossos filmes são proibidos de serem exibidos nos cinemas. Então assista! E peço duas coisas: primeiro, assista em grandes monitores com boa qualidade de som; segundo: se você conhece alguém que, como os jovens do filme, trabalha com música underground, ajude-o(a). Essas pessoas trabalham numa situação difícil no Irã, sem nenhuma ajuda do governo ou outras organizações. O futuro do Irã está na mão desses jovens e de outros artistas”.

O caso Jafar Panahi

No início do ano, o cineasta iraniano Jafar Panahi foi condenado à prisão, acusado pelo seu alinhamento político contrário ao regime e por ter ligações diretas com grupos de oposição. O diretor integraria o corpo do júri do Festival de Cannes deste ano, mas não poderia estar presente por conta da prisão decretada. Panahi foi libertado por pressão da imprensa e por petições que incluía o nome de pessoas influentes no meio cinematográfico, e também pela anunciada greve de fome que começou por protesto à sua sentença sem cabimento. A atriz francesa Juliette Binoche, que ilustrou o cartaz do Festival e se consagrou com o prêmio de Melhor Atriz pelo filme do também iraniano Abbas Kiarostami, “Cópia Fiel”, até chorou em uma coletiva de imprensa quando uma jornalista citou esse ato do cineasta enclausurado, registrado no vídeo abaixo. Enfim, tudo em vão. Na última semana, a corte iraniana determinou seis anos de prisão a Jafar Panahi e o proibiu de trabalhar com cinema nos próximos 20 anos (!!!!) pelos mesmos motivos. A pergunta é: até quando essa palhaçada vai durar?




1) O novo recorde do cinema nacional

Há 34 anos, “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, adaptação para as telonas do clássico romance de Jorge Amado, dirigido pelo então estreante Bruno Barreto, detinha a maior bilheteria de um filme nacional nos cinemas brasileiros. Os números de arrecadação do filme são imprecisos, mas o registro de quantos espectadores assistiram ao filme nos cinemas, em 1976, é de 10.735.524 pessoas. O recorde, no entanto, foi quebrado por uma turma osso duro de roer. Além de se tornar o filme brasileiro de maior sucesso, “Tropa de Elite 2” confirmou ser o filme mais assistido de todos os tempos em terras tupiniquins, arrastando, até hoje, 11.081.199 curiosos para conferir a guerra travada pelo famoso Capitão Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura. Há, no entanto, muitos fatores que devem ser considerados para repensar o cálculo, como o aumento da população – de 110 milhões para 150 milhões –, assim como a diminuição significativa de salas exibidoras de cinema. “Tropa de Elite 2” arrecadou até o momento mais de R$ 102 milhões, mas além da repercussão no faturamento, José Padilha cumpriu a missão que lhe fora dada e entregou um filme urgente, reflexivo e dos mais importantes realizados por este país. Não apenas um fenômeno popular; pessoalmente, considero “Tropa de Elite 2” um dos melhores filmes de 2010 e da nossa cinematografia.



Desejo a todos os leitores, uma excelente virada de ano e que 2011 seja um ano repleto de realizações, conquistas e, principalmente, expectativas. Grande abraço a todos!

31 de ago. de 2010

Cinelista: As 10 Melhores Cenas Musicais do Cinema

Regra principal para elaboração do ranking: NÃO SERÃO INCLUSOS MUSICAIS. Decidi excluir esse gênero porque é até um pouco óbvio, levando em consideração que a maioria dos musicais constrói suas tramas baseadas em performances e sequências de dança espetaculares que irão explodir durante o filme a qualquer momento, sem contar que muitas vezes escalam atores que possuem uma boa voz para cantar – com exceção de Johnny Depp, que comprovou que nem todo ator é completo. Há!

Enfim, pra ser conciso, o que eu definiria como uma “cena musical”? Basicamente, um(a) ator/atriz cantando uma canção em um filme que não seja pertencente ao gênero musical, além dessas cenas serem bem encaixadas no filme e que revelem algum significado orgânico para a trama. Sendo assim, estabeleci algumas normas para tais cenas serem classificadas para essa Cinelista:

1 – O(A) ator/atriz tem mesmo que ser o dono da voz que se ouve. Não precisa ser um Pavarotti, mas a voz tem que ser autêntica. E playback é permitido.
2 – Ou melhor, não pode ser Pavarotti, nem qualquer outro cantor(a) profissional que se arrisque nas telonas. Essa Cinelista é exclusiva para atores.
3 – A cena em si também é avaliada. Tanto isoladamente quanto a sua relevância para com a história do filme – e para a história do cinema.



Recomendação: apertem o play e aumente o volume...




10) Diane Keaton em “Annie Hall” (1977)


Canção: “Seems Like Old Times”

Depois da desastrosa apresentação de “It Had to Be You” em um clube nova-iorquino, Annie Hall volta aos palcos mais segura e, com sua voz suave e olhares que deixam qualquer homem intimidado, ela entrega uma performance simultaneamente sexy e pueril. Ao ouvir os aplausos, é a vez de ela ficar enrubescida com o show que acabara de entregar, finalizando com um “thank you” acuado e tímido, cujos agradecimentos, com justiça, mais partem do público do que realmente da intérprete. Não tem como desviar os olhos dessa cena, da mesma forma que a câmera de Woody Allen se mantém fiel em mostrar a apresentação na íntegra e sem cortes. E outro fator que contribui para o sucesso dessa sequência musical é a beleza incontestável da jovem Diane Keaton, em seu grande papel de destaque no cinema. Apesar da insegurança e distração da personagem, tem que fazer muito esforço para não se apaixonar por Annie Hall.




9) Mike Myers e Dana Carvey em “Quanto Mais Idiota Melhor” (1992)

Canção: “Bohemiam Rhapsody”

A melhor definição para esse filme está no próprio título. E isso, acreditem, é um baita elogio. Wayne e Garth formam uma das duplas mais engraçadas já vistas em comédias. Antes de estrelarem o programa televisivo “Wayne’s World” e lutarem contra Rob Lowe para conquistar o coração da headbanger nipônica interpretada pela atriz Tia Carrere, os amigos inseparáveis, durante os créditos iniciais, ressuscitam o clássico hino do rock “Bohemiam Rhapsody”, famoso na voz do icônico Freddy Mercury, em uma das cenas mais famosas dos anos 90. Essa cena fez tanto sucesso que só os marcianos não a imitavam na época, e até hoje tem malucos que a reproduzem quando entram em um carro acompanhado de um amigo (cri cri cri). Mais uma vez a diretora Penelope Spheeris presenteia o público adolescente com um filme vigoroso e representativo da juventude daquela época, além de extremamente bobo e engraçado. Certamente, o espectador não vai escutar essa música do Queen da mesma forma.




8) Bette Davis em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” (1962)

Canção: “I’ve Written a Letter to Daddy”

Os dotes artísticos que possui como atriz, certamente Bette Davis não os repetiu como cantora. Mas quem se importa? É justamente sua voz aguda e desafinada que imortalizou a bizarra cena em que cacareja “I’ve Written a Letter to Daddy”. Com uma voz insuportável de taquara rachada e usando um vestidinho branco aparentemente inocente, a esquizofrênica Baby Jane Hudson canta uma das canções que lotavam as casas de shows quando se apresentava ainda criança. A cena musical, ao lado da bandeja com a ratazana, é uma das mais famosas do filme, que ainda finaliza com uma dancinha exótica e sedutora (hahaha). Tenham medo. Crente de que está arrasando, a convicção da personagem-título é evidenciada pelo talento descomunal de Davis, que rouba o filme inteiramente para si.




7) Justin Bond em “Shortbus” (2006)

Canção: “In the End”

Controverso, polêmico, chocante e escatológico. “Shortbus” é uma incógnita no cinema contemporâneo, e não desmereço àqueles que alimentam certo distanciamento do filme, considerando-o uma pornografia gratuita ridícula e desnecessária. Particularmente, acho um filmaço desafiador e que exige muito do espectador, principalmente em se despir de qualquer preconceito e abrir a mente e o coração. Ainda que seja naturalmente devasso, é um filme sobre o amor, o que é realmente contraditório. Mas não digo o amor entre duas pessoas – digam não à monogamia! –, mas o amor para com a vida em geral, a explosão da felicidade e do entusiasmo, a convivência em harmonia e comunhão. Tudo isso pode ser facilmente identificado na apoteótica cena que finaliza o segundo filme do talentoso John Cameron Mitchell. É praticamente impossível ficar indiferente a essa cena, ainda mais quando o espectador acompanha todos os percalços percorridos pelos personagens no decorrer do filme. Marcante e único, final contagiante e laudatório. Difícil assistir sentado.




6) Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

Canção: “Put the Blame on Mame”

“A maioria dos homens dormiam com Gilda, mas acordavam com Rita Hayworth”. Nossa, eu sinto pena desses homens... Francamente, que roubada foram se meter, hein? Uma das cenas mais sensuais e provocantes da história do cinema, Gilda entra no clube lotado, dança e canta “Put the Blame on Mame”, que tem uma letra que se opõe completamente ao sex-appeal de sua intérprete e, mesmo assim, arranca suspiros do público masculino. O figurino generoso, o penteado rigidamente conservado, os lábios voluptuosos e a sensacional cena em que a personagem-título retira as luvas, encarando a câmera/espectador e mexendo com a imaginação dos homens; tudo não passa de um jogo de sedução irreversível. A grande estrela é Hayworth, mas o diretor húngaro Charles Vidor também merece créditos pelos closes fabulosos que ressaltam ainda mais a beleza de Gilda e dá um quebra no distanciamento da cena. O espectador, aqui, é privilegiado com essa aproximação fantástica, resultando em uma das cenas mais orgásticas do cinema, que deixa Sharon Stone comendo poeira.




5) Eric Idle e os crucificados em “Monty Python – A Vida de Brian” (1979)

Canção: “Always Look on the Bright Side of Life”

“A Vida de Brian” é uma obra-prima incontestável e antológica. É um dos filmes mais engraçados e hilários que já assisti e considero, apesar das acusações de blasfêmia levantadas pela Igreja Católica, um filme que deve ser assistido por todos, independente das doutrinas religiosas que creem, por ser uma sátira inspirada de uma história universal. Ao ser confundido com Jesus Cristo e ser exaltado como Messias, Brian posteriormente é crucificado ao lado de dezenas de insurgentes. É então que ele se depara com um bandido otimista, que lidera o coro de “Always Look on the Bright Side of Life”. A cena é muito engraçada, absurda por natureza e nonsense. Exatamente como o filme. Explicar pra quê, né? Aperte o play!




4) Elenco de “Quase Famosos” (2000)

Canção: “Tiny Dancer”

O filme de Cameron Crowe é embalado por uma trilha sonora excepcional, que vai de Simon and Garfunkel, passa por The Who, esbarra em Beach Boys e Jethro Tull, compilações de Deep Purple, David Bowie e Fleetwood Mac, e com canções de Neil Young e Led Zeppelin. Tudo o que tem mais de bacana no rock faz parte da trilha de “Quase Famosos”, e chega a ser estranho escolher justamente a cena em que toca Elton John (!) em meio a tantas bandas lendárias. Mas não é pra menos. Quem assiste, não se esquece. “Tiny Dancer” representa, junto à cena da turbulência no avião, momentos que imortalizaram esse filme mágico. O personagem de Billy Crudup está em crise com o Stillwater, banda em que é guitarrista, e depois de uma noite de farra, seus amigos vão atrás dele. Em vez de os pedidos de desculpas virem com uma cena comum, a redenção vem através da música na bela cena em que todos da banda, os roadies, as groupies estão a bordo do ônibus Doris e cantam em coro. Por quebrar o esquema tradicional do roteiro, ser uma ode à música em geral e fazer com que Elton John pareça um bom cantor rs, o filme de Cameron Crowe fica em 4º lugar.




3) Julie Delpy em “Antes do Pôr-do-sol” (2004)

Canção: “Waltz for a Night”

Celine é uma das personagens femininas mais interessantes que eu já vi no cinema. A preocupação do espectador por ela e pelo destino do casal é genuína, já que as conquistas e frustrações amorosas de ambos são narradas com tanta convicção e riqueza de detalhes que nos tornamos totais cúmplices e testemunhas do relacionamento dos dois, prejudicado pelo tempo, pela ingenuidade e, principalmente, pela falta de comunicação voluntária. Se antes a mulher se mostrava completamente frustrada e sem esperança para que a chama do amor se acendesse novamente, ao corresponder um pedido de Jesse – interpretado por Ethan Hawke – de tocar uma de suas composições, eis que o espectador – e o rapaz – é brindado com a belíssima e inesquecível “Waltz for a Night”. E Julie Delpy, como quase sempre, é formidável.




2) Malcolm McDowell em “Laranja Mecânica” (1971)

Canção: “Singin’ in the Rain”

“Horrorshow!” Escolhi “Laranja Mecânica” pela doentia cena em que Alex e seus companheiros calhordas invadem a mansão de um casal burguês. Na residência, eles espancam o homem e o faz assistir de camarote o estupro da própria mulher, que também é surrada e tem sua roupa friamente cortada por uma tesoura estrategicamente nas partes íntimas para satisfazer os prazeres do jovem delinquente. É uma cena revoltante ao mesmo tempo assustadora. E para enaltecer a indignação do espectador, o protagonista começa a cantarolar “Singin’ In the Rain”, canção que ficou famosa na voz de Gene Kelly no filme homônimo. No clássico musical de 52, Kelly expressa sua alegria ao finalmente se relacionar com a personagem de Debbie Reynolds. No filme de Kubrick, a inclusão da música torna a cena ainda mais traiçoeira e repulsiva. É ou não é um clássico?

obs. O vídeo que está aí não é da cena específica, porque não encontrei nenhum que permitisse a incorporação do link. Mas pra quem quer assistir, é esse aqui.




1) Elenco de "Magnólia" (1999)

Canção: “Wise Up”

“... so just give up”.

1 de ago. de 2010

Cinelista: Os 10 'Melhores' Filmes da Sessão da Tarde / Cinema em Casa



A Sessão da Tarde e o Cinema em Casa formaram o caráter de muitas crianças. Eu não fui diferente. Se eu sou o que sou hoje, alguns dos responsáveis por isso são os programadores da Rede Globo e do SBT, que selecionavam os filmes que seriam transmitidos durante a tarde. Enquanto assistia a atração do dia, não trocava de canal na expectativa de anunciarem um filme que eu gostasse para ser o escolhido do dia seguinte. Ainda bem que esses dois “programas” não eram exibidos no mesmo horário; era do SBT para a Globo, sempre nessa ordem – claro, se o filme prestasse, pois eu não perdia meu tempo assistindo “Enchente: Quem Salvará Nossos Filhos?” nem “O Carro Desgovernado”, só pra citar alguns. Era praticamente um ritual religioso: antes da sessão, preparava toneladas de pão bisnaguinha com manteiga e o toddy naqueles copos gigantes do Alladin e sentava no tapete da sala para saborear mais um filme. Bons tempos aqueles... Hoje, a Sessão da Tarde ainda está de pé, mas acredito que não carrega a mesma magia como nos tempos passados; e o extinto Cinema em Casa foi preterido pelo Silvio Santos, em 2002, por aquela novela imbecil da cigana mexicana (“Salomé”, confirmam?) e tentou ganhar nova forma no ano passado, mas foi uma tentativa frustrada porque não dava audiência. E daí? “Chaves” (outro formador de caráter) é a salvação.

Vamos ao teste: você também era um viciado?
Eu desafio o leitor a não dar pelo menos UMA resposta afirmativa para as questões seguintes:

* Quem nunca quis um skate voador?
* Quem nunca quis dirigir uma Ferrari vermelha em marcha ré?
* Quem nunca quis ficar preso no supermercado com a garota mais bonita do colégio?
* Quem nunca quis tocar as teclas de um teclado com os pés?
* Quando ia ao shopping, quem não procurava uma manequim igual a do filme?
* Quem jamais se escondia no armário quando brincava de esconde-esconde em casa?
* Quem não invejava o maldito do Macauley Culkin?
* Quem nunca se borrou de medo com os filmes de terror impróprios do Cinema em Casa? (Há!)

* E acima de tudo: quem nunca desejou que o Herbert Richards fosse seu pai?

Puxei na memória os meus 10 filmes preferidos da Sessão da Tarde e do Cinema em Casa. Já espero algumas pessoas comentando a ausência de grandes clássicos das sessões vespertinas como “Curtindo a Vida Adoidado”, “Clube dos Cinco”, “As Patricinhas de Beverly Hills”, “Edward – Mãos de Tesouras”, “Os Goonies”... é uma infinidade! Mas o leitor deve levar em consideração que essa lista pessoal é mais romântica do que racional. Trata-se dos filmes favoritos de um garoto de 6 a 11 anos, comportado, inocente – embora a Elvira com seus peitos (literalmente) hipnotizantes – e que não tinha lá um gosto/senso crítico tão apurado para reconhecer uma “grande” obra. Se eu rever os filmes da minha lista nos dias atuais será (um pouco) embaraçoso... ou não. Sinceramente, acho que a vergonha não vai se sobrepor ao sorriso estampado no rosto. Pura nostalgia, foi uma fase deliciosa que não volta mais e se eu tiver a oportunidade de poder reassistir esses filmes, largo o que estou fazendo para conferir e só lamentarei a ausência do toddy com as bisnaguinhas.





10) “3 Ninjas” (1992), de Jon Turteltaub


Onde: Sessão da Tarde

O fato de eu ter sido criado com outros dois irmãos mais velhos já explica muita coisa de “3 Ninjas” figurar no meu ranking. A gente sempre brincava de lutinha (eu sempre levava uma surra por ser o caçula) e tentávamos imitar os golpes de karatê dos irmãos Rocky, Colt e Tum Tum – isso também se repetia com os Power Rangers. O filme pegou carona no sucesso de “Karate Kid”, pois vários de seus elementos também estão presentes no clássico dos anos 80, não poupando nem a cópia da figura oriental que representa o treinador dos garotos, em uma alusão ao eterno Senhor Miyagi. A propósito, eu adorava filmes em que crianças batiam em adultos, era muito mais desafiador e divertido.



9) “Corra que a Polícia Vem Aí” (1988), de David Zucker

Onde: Sessão da Tarde

Se eu assisti as últimas sequências aborrecidas da série “Todo Mundo em Pânico” é porque eu não dispenso nenhum filme que tenha a ilustre presença de Leslie Nielsen. Um dos comediantes pastelão mais bem sucedido do cinema, Nielsen não precisa se esforçar para fazer rir, é um raro exemplo de ator naturalmente engraçado. Neste filme, encontrou o ápice de sua carreira ao interpretar o atrapalhado tenente da polícia Frank Debrin, que ao lado da frágil Jane Spencer – Priscila Presley, a mulher mais invejada do mundo – formavam um dos casais mais engraçados e dinâmicos que se tem nota. As sequências de “Corra que a Polícia Vem Aí” foram boas, mas nada que se iguala à irreverência e cinismo do original, que me arranca boas gargalhadas até hoje.



8) “Class Act – Alunos Muito Loucos” (1992), de Randall Miller

Onde: Sessão da Tarde

Lembro que meu irmão mais velho adorava “Class Act”, mas eu não entendia muito bem as entrelinhas porque tinha um conteúdo “mais adulto” do qual eu ainda não dominava. Dois rapazes têm a identidade trocada, um deles é nerd e o outro, um delinquente que já foi preso várias vezes. Eles se desentendem no começo, mas depois se tornam amigos e surgem interesses amorosos no meio do caminho – e aí estão as cenas que eu não pegava muito bem por que o carro balançava etc e tal. Doce inocência! O filme é bem idiota, mas é engraçadíssimo. Os 35 minutos finais em que os personagens estão dentro de uma casa abandonada e em um jogo de perguntas e respostas é sensacional. A dupla de atores Christopher Reid e Christopher Martin fez mais sucesso com a trilogia “House Party” – exibidos pelo Cinema em Casa –, mas “Class Act” é insuperável.



7) "Uma Cilada para Roger Rabbit" (1988), de Robert Zemeckis

Onde: Cinema em Casa

Esse filme foi um divisor de águas para mim porque foi o primeiro em que consegui gravar inteiro em uma fita VHS, cortando os intervalos. Tinha uns 7 anos de idade e preservo a fita na minha casa até hoje – com muita poeira, preciso ressaltar. Sem falar que o filme é um máximo, um grande clássico do cinema, um dos primeiros filmes a mesclar a animação com o live action, fruto de uma produção milionária e cujo orçamento foi facilmente superado nas bilheterias por se tratar de uma novidade tão incrível. Vários outros filmes filhotes depois repetiram a mesma técnica ao misturar o mundo real com animação como “Mundo Proibido” e “Space Jam” – ambos também do Cinema em Casa. Vencedor de 3 merecidas estatuetas do Oscar, “Uma Cilada para Roger Rabbit” é divertido, bem humorado e conta com uma história eletrizante. E Jessica Rabbit, bem... dispensa qualquer comentário.



6) "Cheque em Branco" (1994), de Rupert Wainright

Onde: Cinema em Casa

“Riquinho” que nada! Filme chato, sem graça, moleque folgado que tinha tudo na mão com facilidade. Legal mesmo era a história de Preston Waters, que, ao ter sua bicicleta destruída por uma Mercedes luxuosa, recebe um cheque em branco de um homem ameaçador. O garoto, muito esperto, cria uma identidade falsa (Macintosh) e completa o cheque com o valor de 1 milhão de dólares. Com essa grana, ele constrói uma mansão cheia de brinquedos (o do tira ao alvo é o melhor), tem um cinema próprio em sua casa, come as melhores besteiras do mundo e ainda dá um beijo em uma jornalista que é muito mais velha do que ele, interpretada pela atriz Karen Duffy. O cara é o meu herói! Tudo o que eu quero na vida, ele conseguiu com 12 anos de idade. Ainda que o filme passe longe da realidade, é pura diversão.



5) "Cucamonga – Um Acampamento Muito Louco" (1990), de Roger Duchowny

Onde: Cinema em Casa

Não poderia faltar um filme de acampamento. E o escolhido não foi “Curso de Verão”, nem “Duro de Agarrar”, muito menos “As Namoradas do Papai”. Filme tímido e produzido para a TV americana, “Cucamonga – Um Acampamento Muito Louco” era um dos meus preferidos. Eu pouco me importava com o triângulo amoroso bobo entre os protagonistas, os melhores personagens eram mesmo os secundários, como o ator Jaleel White e a relação entre a jovem Jennifer Aniston – primeiro filme da ex-Brad Pitt – com o organizador do acampamento. Aliás, esse foi o primeiro filme de muitos atores jovens na época como Breckin Meyers, Danica McKellar – Winnie Cooper de “Anos Dourados” – e do Brian Robbins, que virou diretor e massacrou o público com bombas atômicas recentes como “Norbit” e “O Grande Dave”. Vez ou outra, eu me pego cantando a cançãozinha da sequência musical. “Cucamonga, Oh yeah! Oh yeah!”.



4) "O Menino Maluquinho" (1994), de Helvécio Ratton

Onde: Sessão da Tarde

Baseado no livro do escritor Ziraldo, sem dúvidas, “O Menino Maluquinho” foi o melhor filme nacional destinado ao público infantil. Não vou ficar expondo minhas aventuras infantis aqui no blog, mas eu basicamente copiava tudo o que o personagem-título fazia, inclusive colar gomas de mascar de propósito nos móveis para depois recolher todos e fazer uma bola grande de chiclete. Que bobagem! Mas eu não andava com panela na cabeça pra cima e pra baixo, eu era pequeno, mas tinha noção do ridículo =D São várias cenas que marcaram a minha infância, como quando eles andam de rolemã no meio da rua, o pé de manga do vizinho ou quando sua turma arruma briga com os outros moleques da cidadezinha. É um filme que ilustra maneiras de como aproveitar a melhor fase da vida. Imagina se fizessem “O Menino Maluquinho” nos dias de hoje: em vez da panela, estaria com um headset gigante na cabeça, óculos de 10 graus em cada olho e viciado em videogame e computador. Dá até desânimo de pensar.



3) "A Família Buscapé" (1993), de Penelope Spheeris

Onde: Sessão da Tarde

Esse nunca vai ficar velho, vira e mexe ainda passa na Sessão da Tarde e eu faço o possível para assistir algumas cenas. Versão cinematográfica da série famosa na década de 1960, conta a história de uma família de caipiras que ficam ricos repentinamente ao descobrirem uma fonte petrolífera no terreno em que moram. A adaptação dos Clampett na cidade grande não economiza nas gags, resultando em um dos filmes mais bobos e engraçados que eu já vi. Claro, isso tudo misturado com a perspectiva infantil que eu acompanhava tudo, mas ainda assim, sobrevive a umas boas sacadas e humor escrachado, mas, por vezes, inteligente.



2) "Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York" (1992), de Chris Columbus

Onde: Sessão da Tarde

O original também é ótimo, mas a continuação em que Kevin McCallister acaba pegando o vôo errado e desembarcando em Nova York é muito mais legal. Quem não queria ficar perdido na Big Apple com o cartão de crédito do papai? Além de uma ótima comédia e aventura – a sequência dos bandidos na mansão em reforma é inesquecível – o filme ainda desperta um espírito natalino muito relevante, discutindo assuntos sobre a importância da integração familiar e o sentido do perdão. Se separados Chris Columbus e John Hughes são os reis da Sessão da Tarde / Cinema em Casa, imaginem quando um dirige e o outro escreve o roteiro? Só poderia sair coisa boa. “Esqueceram de Mim 2” é um dos mais divertidos e melhores filmes que integra a programação da Sessão Tarde, pois não é à toa que ainda é exibido no Natal quase 20 anos após seu lançamento.



1) “Os Batutinhas” (1994), de Penelope Spheeris

Onde: Cinema em Casa

Se Hughes e Columbus são as principais figuras masculinas, Penelope Spherris ao lado de Amy Heckerling – que infelizmente não coube na lista – são as duas rainhas da Sessão da Tarde / Cinema em Casa. São diretoras que conseguiram compreender a infância e a juventude de uma época e reproduzi-la com êxito em seus filmes. Spherris, que já levou o bronze, leva o ouro por esse filme tão acolhedor e engraçado. O plot é sobre um clube exclusivo de garotos que odeia as meninas, mas um de seus principais membros acabou se apaixonando e eles juram vingança contra o lendário Alfafa. Desde o piquenique no clube, passando pelo balé improvisado, até a cantoria com bolhinhas de sabão e culminando na sensacional sequência da corrida de carrinhos (quem não queria ter um daqueles?), “Os Batutinhas” era facilmente o meu filme preferido de todos. Vai um picles aí?

12 de jun. de 2010

Cinelista: Os 10 Piores Casais do Cinema

Hoje é Dia dos Namorados. Todos os casais vão se programar para sair de casa, ir a algum barzinho, restaurante, motel, cinema, presentear a pessoa amada...Enfim, os proprietários de estabelecimentos são os que mais vibram com a data comercial e pouco significativa. Originalmente, eu pensava em fazer um Cinelista com os melhores casais do cinema para celebrar a data tão especial para muitos, mas a solidariedade com os leitores encalhados falou mais alto. Afinal, por que não fazer uma lista com os piores casais do cinema a fim de esclarecer (ou reforçar) que é muito melhor estar sozinho do que mal acompanhado?

Ignorem Tom Jobim, ele não sabe o que dizia!

Abaixo, segue uma lista, como sempre, inteiramente pessoal dos casais mais toscos do cinema. Assim como no Cinelista anterior e todos os demais que virão, eu estabeleço algumas limitações para ajudar na formulação do ranking. Aqui vão as considerações:

1 – O filme não precisa ser necessariamente de romance, mas o casal deve ter algum laço afetivo e ter tempo suficiente em cena para que possa ser introduzido na listagem. Se não fosse por isso, Sylvester Stallone e Sharon Stone estariam quase no topo da lista pela defecação que foi “O Especialista” (1994). Eles conversam por telefone durante o filme inteiro e só se encontram efetivamente no final do filme, protagonizando aquela infame cena do chuveiro... como esquecer?

2 – Alguns fatores que foram contados para a criação da lista: falta de química entre os atores, dimensão do bizarro, tédio alarmante, cenas inesquecivelmente toscas e hilárias, polemicidades por opção e conteúdo absurdo. Ah, seria hipócrita se dissesse que a qualidade do filme não influenciou nessa decisão, afinal, além do péssimo trabalho dos atores, o conjunto de direção e roteiro é parte integrante para o fracasso dos casais listados abaixo em grau de escrotice:



"Ai Kevin, você me ajuda a ganhar um Oscar?"

10) Kevin Costner e Whitney Houston em “O Guarda-Costas” (1992)


A típica mulher de origem humilde que se torna uma figura arrogante após a fama e o guarda-costas reservado, mas profissional e sempre disposto a proteger sua cliente. Fruto da inexpressividade habitual de Costner e da pretensão “movie star wannabe” de Whitney Houston, nasce o 10º casal mais deprimente do cinema. Na verdade, esse casamento não é TÃO comprometedor, mas “O Guarda-Costas” é um filme tão pavoroso, tão ruim, que expõe os limitados protagonistas a cenas constrangedoras e embaraçosas. Só para citar algumas, temos uma apresentação da cantora em uma boate em que parece estar vestindo uma armadura medieval, as tentativas dela em provocar ciúmes no rapaz num hotel em Miami e a ridícula simulação da festa do Oscar, que resulta em uma das piores montagens já feitas em um filme. Sem falar naquela maldita canção “I Will Always Love You”, que toca no filme até em versão country. Como pode parecer, nada conspirava a favor de Costner e Houston. Nem eles mesmos.




"Putz, eu jurava que ele guardava a carteira no bolso esquerdo"

9) Richard Gere e Winona Ryder em “Outono em Nova York” (2000)


Com 15 minutos de projeção, eu já havia matado a charada. O tédio e desinteresse que assombra “Outono em Nova York” é resultado do roteiro previsível, mas também da falta de química e dinamismo entre os protagonistas. Richard Gere interpreta o mesmo papel de sempre: o homem grisalho, maduro, inteligente, grisalho (claro) e pegador. Porém, ele jamais imaginaria que uma mulher mudaria a sua vida e maneira de ver o mundo (olha só!). Entra na história Winona Ryder, uma estilista de 22 anos, irritantemente infantil, sorridente e que pouco sabe articular uma frase com sujeito e predicado. Gere, figura inspiradora de José Mayer, havia namorado a mãe já falecida da garota na juventude. Talvez por perceber que o casal é como azeite e água, o roteirista, desesperado em encontrar uma solução para abalar o emocional do público feminino, num lapso de originalidade, resolve adicionar uma doença terminal na vida da pobre garota. O Richard Gere te dá um Grecin 5 se você, leitor, adivinhar o final do filme.



Alinhar ao centro

"Porque revolução comunista sem romance foge dos padrões Rede Globo"


8) Caco Ciocler e Camila Morgado em “Olga” (2004)


Esse casal – e todos os demais personagens do filme – é uma ofensa a grandes figuras da história brasileira. Caco Ciocler interpreta o revolucionário Luiz Carlos Prestes como um sujeito medíocre, tanga-frouxa e sem autoridade. Ao passo que Camila Morgado “encarna” a judia alemã Olga Benario como uma mulher fria, mal humorada e extremamente antipática. Por transformar mártires da política nacional em figuras minimamente repulsivas, além de atuarem como se fossem marionetes ambulantes, o péssimo casal de “Olga” merece figurar na listagem. A falta de entrosamento entre esses personagens é facilmente perceptível; absolutamente tudo nesse filme é em ritmo pausado, inclusive as falas esquemáticas e clichés dos personagens. O nascimento do romance entre Olga e Prestes é ridículo, mas não chega ao ponto do amadorismo e distância provocada pelas vergonhosas cenas de sexo. Se não fosse por elas, a camarada Olga Benario não ficaria GRÁVIDA, GRÁVIDA DE LUIZ CARLOS PRESTES! Se o filme tivesse sido produzido naquela época, com certeza sessões sem intervalos do filme seria adotado como um método de tortura aos subversivos.



"Poxa guri, isso é urina ou ejaculação precoce?"


7) Xuxa Meneghel e o garoto Marcelo Ribeiro em “Amor, Estranho Amor” (1982)


Tudo começou com um “vem cá, guri. Olha só como sou moça macia”. Pronto: estava armada uma das maiores marmeladas do cinema brasileiro. Digo isso tanto pela desprezível cena erótica protagonizada pela futura rainha dos baixinhos com um garoto de 12 anos, mas também pelo fim injusto que teve esse episódio. No início da década de 1990, quando já havia conquistado a fama como apresentadora infantil, Xuxa Meneghel entrou na justiça para apreender cópias e exemplares de “Amor, Estranho Amor”, e conseguiu permissão judicial para determinar a censura eterna do filme de Walter Hugo Khouri. Motivo óbvio: não sujar seu status como rainha dos baixinhos. O pouco tempo em que Xuxa e o “guri” se esfregam na cama antes da rapariga levar uns tapas da mãe do garoto, que os flagra, já é motivo suficiente para incluí-los no ranking. O ator Marcelo Ribeiro, hoje, aos 40 anos, é ator de filmes pornográficos e em seu próximo projeto, dividirá a cena com a atriz Regininha Poltergeist. Medo!


Ford: "O que é aquilo?" Heche: "Acho que é a nossa carreira desmoronando"


6) Harrison Ford e Anne Heche em “Seis Dias, Sete Noites” (1998)


O filme conta a história de uma jornalista que está passando as férias em uma ilha com o noivo, mas ela deve se dirigir a outro local para fazer uma reportagem para a revista a qual trabalha. Ela vai de táxi aéreo. O avião cai em uma ilha deserta e ela e o piloto passa a se odiar; mas enquanto esperam a equipe de resgate, se descobrem perdidamente apaixonados um pelo o outro. Boring! A falta de sintonia entre Ford e Heche é gritante. Profundamente incomodados no papel e sem estabelecer uma faísca entre o relacionamento que tentar desenvolver, formam o 6º casal mais desclassificado do cinema. As tentativas frustradas do roteiro pedestre de querer convencer o espectador de que o casal foi feito um para o outro, apesar das diferenças de valores e princípios, são terrivelmente forçadas. Ford posa de sexagenário galanteador, enquanto Anne Heche, crente que é gostosa, não passa de um macarrão sem molho irritante, com voz aguda e que extrapola na futilidade. As briguinhas constantes acompanhadas por dialogozinhos tontos é de uma bobagem extrema. Tom Hanks em “Náufrago” estava bem melhor acompanhado...



"Robin, você bat uma?"


5) George Clooney e Chris O’Donnell em “Batman e Robin” (1997)


Ah, não sejam tão ingênuos!




"O amor é uma dor"

4) Martin Hewitt e Brooke Shields em “Amor Sem Fim” (1981)


Tenso! “Amor Sem Fim” é um dos filmes mais grotescos e que traz um dos casais mais chatos e aborrecidos que já presenciei. Martelando a ideia de que os protagonistas se amam cegamente, quando, na verdade, são adolescentes vazios, sem perspectivas e que só pensam em fornicação, o conceito do amor é completamente deturpado por esse filme cretino – e é assustador ver o competente Franco Zeffirelli a frente de uma bizarrice como essa. É enjoativo ver as constantes declarações de amor entre Martin Hewitt e Brooke Shields durante o filme (“Se o seu pai me vir aqui, ele me mata / Então morremos juntos/ Eu te amo/ Eu também te amo). A única explicação para que as performances eróticas fossem incluídas na trama era para causar polêmica, já que jovens de 15 e 17 anos transando não era uma imagem tão comum no cinema norte-americano – enquanto Louis Malle já filmava, na França, incesto entre mãe e filho. No fim das contas, é um filme que se leva a sério demais, mas é tão constrangedor quanto seu casal protagonista.



"Vamos mostrar esse filme para os nossos filhos quando ficarmos bem velhinhos"


3) Ben Affleck e Jennifer Lopez em “Contato de Risco” (2003)

Os “Bennifer” forma, em widescreen, um dos casais mais medonhos em um dos filmes mais insuportáveis dos últimos anos. “Contato de Risco”, pra começar, não sabe em que gênero investir. E quando tenta definir um foco, logo é alterado e acaba não sendo satisfatório em nenhuma dessas alternativas frustradas. O mesmo pode ser aplicado ao casal protagonista igualmente ridículo. Afinal, o que esperar de um “romance” entre um criminoso retardado e fracassado e uma mafiosa lésbica? E as cenas são hilárias! Como se esquecer de Jennifer Lopez fazendo exercícios de ioga enquanto compara a boca feminina com a vagina, ou o teste das unhas que ela faz no rapaz para descobrir se ele é ou não um homossexual, o bombardeio de diálogos tolos “filosóficos” e a estúpida cena na estrada em que praticamente se declaram um ao outro. Fato é que “Contato de Risco” é um atentado à inteligência humana e parte fundamental dessa tragédia é o 3º casal mais absurdamente chato e nonsense do cinema.




"John, como é o nome daquele clube de striptease que você me disse outro dia?"

2) John Travolta e Lily Tomlin em “A Cada Momento” (1978)


Precisa mesmo dizer alguma coisa? Visualizem: John Travolta de sunga, comendo frango frito na praia sob um sol escaldante e passando a lábia na Lily Tomlin, uma milionária arrogante, frígida e indiferente. OK, mais uma: em um ofurô, o rapaz jovem e desocupado declara seu amor à Tomlin, que não corresponde com as mesmas palavras e ele passa a se sentir um “nada”, um “homem sem valor”, enquanto a mulher explica que não queria magoá-lo, mas também não queria mentir para si mesma e blábláblá... Pra começar, o casal é um lixo! Lily Tomlin é uma grande atriz, John Travolta tem os seus (raros) bons momentos, mas juntos é pedir demais. Ambos haviam feito grande sucesso naquela época – Travolta havia acabado de estrelar “Os Embalos de Sábado à Noite” e a atriz havia sido indicada ao Oscar por “Nashville” – e resolveram estrelar esse romance hediondo e bizarro. O filme foi um fracasso monumental de público e crítica e a carreira dos dois foi gradativamente pro ralo, mas acabaram se reerguendo depois de um tempo. O filme considerado maldito nunca foi lançado sob nenhuma plataforma nos Estados Unidos tamanha afronta ao bom senso.




"O melhor de comer Doritos é chupar os dedos no final"

1) Madonna e Sean Penn, Willem Dafoe, Rupert Everett, Adriano Gianini...


E por falar em bom senso, essa é uma qualidade praticamente ausente em Madonna quando se aventura no cinema. Vamos por partes. Em “Surpresa de Shanghai” (1986), a cantora pop interpreta uma jovem missionária (precisa continuar?) que pretende encontrar um esconderijo de ópio em uma Shanghai ocupada pelos japoneses a fim de produzir medicamentos para pessoas necessitadas. Lá, ela conhece o personagem do Sean Penn, um comerciante canastrão que também está atrás do ópio, mas por interesse pessoal. E cenas pavorosas de ação, aventura e suspende cercam a vida do casal, que é finalizado com um grande beijo em fade out. Junto a isso as atuações “brilhantes” de Penn e da cantora pop. Próximo: “Corpo em Evidência” é um dos filmes mais risíveis de tribunal, que traz Madonna sendo processada pelo Estado por ter matado um idoso de tanto fazer sexo com ele (!). Seu advogado, Willem Dafoe, acaba cedendo aos “encantos” da cliente, que é adepta ao sadomasoquismo. E daí já viu: masturbação no elevador lotado, sexo em cima de cacos de vidros, parafina quente da vela em contato com o corpo... tudo para satisfazer o prazer dos dois e o tédio do espectador. “Sobrou pra Você” traz Rupert Everett como o amigo gay de Madonna, mas que eles acabam ficando juntos, em uma comédia romântica das mais retardadas. Por fim, o italiano Adriano Gianini e Madonna ficam perdidos em uma ilha no infortunado “Destino Insólito”. Ela interpreta uma ricaça que o maltratava anteriormente, mas agora, sozinhos, era o momento de ele retribuir todos os descasos da loira, fazendo dela sua escrava pessoal (e sexual). Ninguém imaginava que dali fosse surgir um grande amor genuíno... Precisaria de um texto à parte para descrever a miscelânea de podreiras que tem nesses 4 filmes. Fato é que mais do que os atores que dividem cena com Madonna, o pior casal que pode existir no cinema é a cantora pop com uma câmera 35 mm.