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16 de jul. de 2010
Imagem da Semana - "Pânico" (1996)
“Do you like scary movies?” Eu tinha uns 7 anos de idade quando vi todo o mundo se rendendo ao Ghostface, “investindo” toda a mesada na fantasia completa ou insistindo a mãe para comprar a máscara em promoção por R$15,90 nas Americanas – isso me soa familiar. Devido ao sucesso instantâneo e inesperado de um terror adolescente original e cativante, não só as festas à fantasia ganharam novas vestimentas, mas o cinema de terror recebeu novos direcionamentos a partir do lançamento de “Pânico”. Os estúdios viram que a fórmula havia funcionado novamente, e o filme de Wes Craven impulsionou o mercado de horror movies norte-americanos, originando uma série de filmes do gênero, cujas principais vítimas eram jovens estudantes urbanos que estavam na transição do Ensino Médio para a faculdade. Dentre alguns produtos dessa safra do terror adolescente, destaco “Premonição”, “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Lenda Urbana”, “O Dia do Terror”, “Comportamento Suspeito” – e embora essas películas pertencessem a uma febre momentânea, várias continuações desses mesmos filmes ainda são lançadas, como “Premonição 4” neste ano, “Pânico 4” com previsão de estreia para 2011 e esses dias, explorando a videolocadora, me deparei com “Eu Sempre Saberei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”. I rest my case.
Ainda que esses filmes tenham conquistado relativo sucesso nas bilheterias, nenhum deles foi superior em qualidade ao verdadeiro precursor dessa nova onda. A personagem Casey Becker ilustra a Imagem da Semana em uma foto clássica e icônica de “Pânico”. Ao receber uma ligação anônima de um rapaz misterioso, a loira recebe as cantadas dele como parte de um joguinho sacana, mas logo o verdadeiro motivo pela ligação é revelado: “ver como ela é por dentro”. Da doce garotinha de “ET” para a primeira vítima estripada pela faca afiada do assassino mascarado, Drew Barrymore teve sua carreira catapultada para o sucesso novamente depois de sua curta, mas inesquecível participação no filme. Após o envolvimento com drogas enquanto adolescente e o afastamento do cinema, conquistou a fama novamente e se reergueu no mercado de Hollywood, embalando alguns hits posteriores a “Pânico”, como “Afinado no Amor”, “Para Sempre Cinderela” e “Nunca Fui Beijada”. Pode-se dizer que de todo o elenco do filme original, justo a primeira a ser assassinada teve maior visibilidade no cinema.
Um dos pontos destacáveis em “Pânico” concentra na homenagem que o filme de Wes Craven tece a vários outros clássicos do gênero. O próprio jogo do assassino se refere a vários filmes imortais do terror, sem contar que o personagem interpretado pelo ator Jamie Kennedy, em certo momento, cita um manual do que não pode ser feito nos filmes de terror e enumera algumas dessas regras (não ficar isolado, não dizer “eu volto já”, não fazer sexo). O mais engraçado é que “Pânico” propositalmente se vale de todos esses clichés para construir a sua trama, revelando-se um terror adolescente eficiente, como há muito tempo não é feito em Hollywood.
PODCAST
Meu companheiro de comunidade de Orkut, Alessandro Zanchin, me convidou para participar de um podcast, cujo tema era justamente “cenas marcantes”. Eu escolhi essa cena e o meu comentário em áudio – e uma sequência do próprio filme – pode ser ouvido aqui. Minha parte começa a partir dos 14:40. Também participaram desse podcast, os cinéfilos Renan (“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”); Vivi, do blog Cinefilando (“Moulin Rouge!”); Thiago (“Clube da Luta”); Bruno (“Menina de Ouro”) e o próprio Alessandro (“A Vila”).
4 de jul. de 2010
Imagem da Semana - Uma Noite na Ópera (1935)
O gênero comédia era um grande investimento, pois arrastava multidões para as salas de cinema. Alguns cinéfilos atribuem aos lendários Charlie Chaplin, Buster Keaton e Harold Lloyd, todos iniciantes no teatro, o título de Santíssima Trindade da comédia norte-americana – embora Chaplin fosse britânico. Já os mais “subversivos” consideram que os três elementos máximos da divindade cômica são de Nova York, também vieram do teatro e dividem o mesmo genótipo. Os Irmãos Marx, na verdade, era composto por um quarteto – Groucho, Harpo, Chico e Zeppo – mas este último não conta porque: 1) é o mais escasso de talento de todos, a ovelha negra da família e 2) sequer participou do filme cuja Imagem da Semana destaca, pois deixou de integrar o grupo logo quando estrearam no cinema. Gostar de Zeppo é o mesmo que preferir o Ringo aos outros Beatles.
“Diabo a Quatro” é considerado a maior obra dos Irmãos Marx, porém “Uma Noite na Ópera”, sem dúvidas, é muito mais engraçado. Inicialmente, essa cena icônica do filme mostra o trio a bordo clandestinamente em um navio, escondendo-se em uma cabine minúscula. Se a intenção era manter sigilo sobre a presença deles no transatlântico, logo esse propósito vai por água abaixo, pois o cubículo é preenchido por uma multidão, entre camareiras, “engenheiros”, serventes, uma curiosa e até uma manicure! A ironia desfilada por Groucho – líder do grupo – dá um toque especial para uma cena marcante e engraçadíssima. “Uma Noite na Ópera”, para muitos, é simplesmente uma das comédias politicamente incorretas mais engraçadas do cinema, mas essa “fama”, por vezes, esconde a crítica mordaz e pertinente que o filme tece para a corrupção e hipocrisia da classe burguesa.
4 de jun. de 2010
Imagem da Semana - Velvet Goldmine (1998)
Em meados dos anos 70, a Inglaterra se viu pequena diante da popularização do Glam Rock. Trata-se de um estilo musical, cuja tendência era baseada na libertação e revolução sexual, e que teve grande repercussão e impacto entre os jovens ingleses da época. O período é conhecido, principalmente, pelo figurino extravagante adotado pelas pessoas como uma espécie de identificação e impressão da própria personalidade, recheado de cílios postiços, cabelos coloridos, purpurina, boás, saltos altos, maquiagem pesada, roupas cintilantes etc. Muitos afirmam que o Glam Rock (ou Glitter Rock) foi uma resposta ousada e provocadora ao Progressive Rock, que se “levava a sério demais”.
Confesso que não tenho conhecimento abrangente sobre o movimento para firmar uma posição definitiva a respeito, pois conheço apenas o básico desse estilo, como os geniais David Bowie e Iggy Pop. Posteriormente, como tudo nessa vida, o Glam Rock ganhou novas definições e se tornou banalizado, dando espaço mais para o visual de bandas grotescas do que efetivamente “conteúdo”. Enfim, a intuição dessa postagem não é nem de longe divagar sobre o caminho percorrido por esse massacrado estilo musical, mas comentar sucintamente sobre “Velvet Goldmine” (1998), filme dirigido pelo magistral Todd Haynes, e que faz uma (literalmente) brilhante reconstituição de época dessa eufórica e inovadora fase da História do Rock.
Na imagem, vemos os atores Ewan McGregor e Jonathan Rhys-Meyers como grandes estrelas dessa geração. Com criatividade pulsante, recheado de cenas simbólicas e icônicas, “Velvet Goldmine” ainda é beneficiado com a direção elegante e inteligente de Todd Haynes, grande nome do cinema independente, que oferece um exercício estilístico fantástico sem excluir o primor narrativo – de que adianta o visual ser chamativo, se o conteúdo não vale nada? Foi isso que o Glam Rock se tornou na medida em que fora avançando. O filme lida com novas tendências, repressão paterna, busca pela própria identidade, aceitação na sociedade, dentre outros temas relevantes a serem discutidos. Porém, sem querer se portar político ou didático, “Velvet Goldmine” polemiza essas questões controversas e as abordam com irreverência e ironia latente, que são qualidades omissas no comportado cinema norte-americano de hoje.
6 de mai. de 2010
Imagem da Semana - Interlúdio (1946) / Prêmio Dardos

A imagem escolhida representa uma das passagens de maior tensão do filme. Supostamente envenenada pelo próprio marido e pela sogra bruaca para que não descubra os golpes de mãe e filho, a personagem de Ingrid Bergman desconhece a origem de suas enfermidades, bem como os espectadores. Assim, com um leve passeio de câmera pelo cômodo da luxuosa mansão, Hitchcock enquadra uma simples xícara de chá posta sobre a mesa, e com seu brilhante domínio narrativo, alerta e revela aos espectadores de que o que contém na louça é a verdadeira fonte do mal estar e indisposição da protagonista.
“Interlúdio” é muito conhecido pelo beijo mais duradouro (e censurado) em close do cinema naquela época. Afinal, o filme é de romance? Tem uma parcela, mas é perfeitamente possível enquadrar essa obra-prima como um drama denso, que revela suspense gradativo em algumas cenas. Prova disso foi a decisão de Hitchcock em aumentar os degraus da escadaria da mesma mansão em uma única passagem do filme, justamente para garantir uma atmosfera mais conflituosa e atingir um tom perfeito de suspense e tensão – e consegue, com louvores.
28 de abr. de 2010
Imagem da Semana - Fargo
A cena escolhida representa um dos momentos mais hilários e chocantes do filme. Para alguns, motivo suficiente para ficarem boquiabertos diante da sanguinolência, já para outros – e eu me incluo nessa, novamente – a inusitada situação de enfiar um cadáver em um triturador de madeira representa mais uma daquelas epifanias de humor negro que impera sobre a versátil cinematografia dos Coen.
Yes, there will be blood.
18 de abr. de 2010
Imagem da Semana - Casa Vazia
Dentre várias observações, percebam o retrato na parede acima dos personagens e a expressão de infelicidade da mulher ao lado de seu marido (a comunicação da aliança), e como sua feição se altera ao receber o beijo do misterioso rapaz de azul, transmitindo frescor e satisfação. Aliás, as escolhas de vestimentas pretas ao casal no retrato, bem como a opção de roupas brancas na cena em questão não foram por acaso. A imagem libera uma sensação de leveza e de completo estado de plenitude, como se essas pessoas estivessem flutuando.
Sem dúvidas, “Casa Vazia” é um dos melhores filmes da década passada. Obra-prima incontestável! Dirigido com maestria pelo sul-coreano Kim Ki-duk, mais conhecido no Brasil por “Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera”, o filme traça um doloroso e poético cenário da solidão e do isolamento voluntário. O filme tem poucos diálogos – o protagonista do filme, o ator Lee Seung-yeon, não pronuncia uma palavra sequer durante toda a projeção – mas as imagens, assim como a escolhida, são capazes de traduzir tudo o que o filme gostaria de dizer.
19 de fev. de 2010
Imagem da Semana - Annie Hall

O ano era 1964. O ator Warren Beatty e o produtor Charles Feldman estavam à procura de um comediante afiado para escrever o roteiro de um filme que ambos estavam desenvolvendo, intitulado “O Que é Que Há, Gatinha?”. Foram a um clube chamado Bitter End, onde haveria um show de stand-up de um piadista famoso em Nova York chamado Woody Allen. O comediante aceitou a proposta e foi assim que nasceu um dos mais célebres diretores e roteiristas de Hollywood. Até hoje, foram 40 filmes dirigidos (sem contar trabalhos na TV americana) e mais de 50 roteiros escritos. Não há um consenso geral sobre qual o melhor trabalho de Woody Allen, mas acredito que seja quase unânime o reconhecimento de “Annie Hall” como o filme mais badalado da sua extensa filmografia.
Realizado em 1977, “Annie Hall” traz Woody Allen e Diane Keaton (namorados na época) como um casal apaixonado em crise. Basicamente, é isso. O forte de Woody Allen reside nos diálogos inteligentes, engraçados e sarcásticos, sem falar na criação de personagens inicialmente misteriosos, que o espectador passa a se familiarizar e conhecer lentamente no decorrer do filme. É um caso de empatia e compreensão. Ou o oposto. Eu sempre digo que os filmes do Woody Allen são presentes para os atores porque seus personagens são conduzidos e desenvolvidos com fidelidade e dedicação. Em “Annie Hall”, por exemplo, compreendemos perfeitamente os motivos que levaram a personagem-título a fazer o que fez (sem spoilers, por favor), assim como o personagem de Allen em estar cegamente apaixonado por ela. Na cena escolhida, acompanhamos um diálogo de apresentação do casal na varanda da casa de Keaton, mas são inclusas legendas enquanto eles falam que representam o que cada personagem está pensando naquele exato momento. Enquanto conversam sobre artes plásticas, por exemplo, um deles fica imaginando como seria o corpo do outro se estivessem nus. Dentre várias cenas clássicas do filme (como a do cinema ou Keaton cantando e encantando “Seems Like Old Times”), acredito que essa mostra a essência de Woody Allen: humor inteligente e original.
“Annie Hall” – mais um exemplar que entra para o hall de traduções estúpidas no Brasil – é um filme agridoce, engraçado e, por vezes, melancólico. Uma obra-prima imperdível e obrigatória.
14 de jan. de 2010
Imagem da Semana - "Rede de Intrigas"
Ao rodear nosso cabeçalho com imagens memoráveis de alguns filmes, Paulo e eu tivemos que abrir mão de outras ilustrações que gostaríamos que estivessem presentes. Modéstia à parte, são ótimas fotos, mas isso não quer dizer que as imagens referentes aos filmes que escolhemos são “os” melhores filmes, “as” melhores fotos. Não. Preocupamo-nos, obviamente, com a estética do blog, mas foram deixadas algumas imagens de lado por não se adequarem ao espaço cedido pelo blogger.com, dentre outros motivos arbitrários. Por isso, criamos essa seção do blog, dedicada a comentar cenas marcantes de filmes, que mereciam figurar em nosso cabeçalho, bem como as outras que o enfeitam.Para estrear, escolhi uma das cenas-chave de “Rede de Intrigas”, filme dirigido por Sidney Lumet, em 1976. Na foto, vemos a ambiciosa Diana Christensen (interpretada por Faye Dunaway), exigindo a recontratação do âncora de TV Howard Beale (Peter Finch, na ilustração do jornal), após ter sido demitido pela emissora ao anunciar o próprio suicídio em horário nobre, na televisão. “Rede de Intrigas” é um grande clássico do Cinema. É um filme-denúncia sobre a exploração e a influência que o meio televisivo tem sobre os telespectadores, além de ser uma crítica mordaz ao caráter antiético de produtores de TV, cujo único interesse é o lucro. Dunaway representa perfeitamente uma dessas figuras. Sua atuação foi reconhecida pela Academia e foi agraciada com o Oscar de Melhor Atriz, em 1977. Grande cena. Grande filme. Grande atriz.




