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23 de fev. de 2011

Oscar 2011 - Comentários e Previsões Finais (Categorias Técnicas)


MELHOR FOTOGRAFIA




Vai vencer: Roger Deakins (Bravura Indômita)

Votaria em: Matthew Libatique (Cisne Negro)

Minha aposta para o veterano Roger Deakins implica nas nove indicações anteriores que recebeu – cinco delas para filmes dos Irmãos Coen – sem, no entanto, levar nenhuma estatueta pra casa. Já passou da hora de premiá-lo. Seu trabalho magnífico em “Bravura Indômita” faz de alguns takes verdadeiras obras de arte, a fotografia de Deakins é para se admirar, é contemplativa e enriquece a trama com beleza e uma plasticidade evocativa. Seria minha primeira opção, caso Matthew Libatique não fosse lembrado pela calculada iluminação hipnótica de “Cisne Negro”, o que me faria incondicionalmente duvidar da capacidade mental dos votantes dessa comissão. Acompanhando a vibrante câmera de Aronofsky, o diretor de fotografia captura com efervescência os distúrbios da protagonista, atribuindo significados fundamentais à narrativa, sem falar no catártico e inesquecível grand finale. Reconheço as poucas chances de ganhar, mas seria uma grata surpresa, tal qual se levasse Wally Pfister por “A Origem” – vencedor do sindicato dos fotógrafos –, Jeff Cronenweth por “A Rede Social” ou até Danny Cohen pelo belo registro de “O Discurso do Rei”. Categoria bem equilibrada e com excelentes trabalhos. Que vença o melhor – ou o que mais tem histórico.


MELHOR EDIÇÃO



Vai vencer e Votaria em: Angus Wall e Kirk Baxter (A Rede Social)

Na ausência inexplicável de Lee Smith por “A Origem”, o melhor trabalho de montagem do ano com larga vantagem, eu torço e aposto na dupla de “A Rede Social”. Qualquer um que levar se não eles, será injustiça.


MELHOR DIREÇÃO DE ARTE



Vai vencer e Votaria em: A Origem

A Academia esse ano resolveu não restringir os indicados a filmes fantásticos ou reconstituições de época – representados aqui principalmente por “Alice no País das Maravilhas” e “O Discurso do Rei”, respectivamente. É louvável a abrangência para a construção do Velho Oeste de “Bravura Indômita”, a grandiloquência de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” e “A Origem”, um filme que aposta em um design de produção contemporâneo, mas detalhista em sua concepção. Entretanto, essa categoria está bem dividida. O hype imensurável de “O Discurso do Rei” entra em confronto com a releitura de Lewis Carroll feita pelo extravagante Tim Burton, cujas produções são figurinhas carimbadas nos departamentos técnicos. E pra completar o duelo, o filme de Nolan, que venceu o sindicato dos diretores de arte, é um forte concorrente. Tudo pode acontecer, mas ficarei fiel naquele que considero o melhor entre os cinco.


MELHOR FIGURINO



Vai vencer: Jenny Beavan (O Discurso do Rei)

Votaria em: Mary Zophers (Bravura Indômita)

Aqui a história se repete como em Direção de Arte: a preferência é por filmes de época com luxuosos vestidos, principalmente, usados por monarcas ingleses. Por que essa tradição seria quebrada esse ano justamente com o filme que totaliza o maior número de indicações nessa edição? No entanto, substitua os longos por ternos elegantes e peças muito bem modeladas e temos Jenny Beavan já preparando seu discurso de rainha. Não vi “A Tempestade”, confeccionado pela grande Sandy Powell, mas acho que de 6.000 votantes, nem 500 conferiram o filme hahaha. Comemoro a presença do classudo italiano “Eu sou o Amor” na disputa, mas o figurino de “Bravura Indômita” imprime a alma de seus personagens, num rico trabalho de vestimentas repleto de detalhes e acabamentos concisos, secos, sem firulas – o oposto de “Alice no País das Maravilhas”, cuja desenhista icônica, Colleen Atwood, tem grandes chances de levar o seu terceiro pra casa.


MELHOR TRILHA SONORA



Vai vencer e Votaria em: Trent Reznor e Atticus Ross (A Rede Social)

Mais crédito que o Oscar ganha comigo esse ano por selecionar cinco potentes trilhas sonoras no meio de tantas outras igualmente memoráveis – “Tron – O Legado”, “O Escritor Fantasma”, “O Mágico” só para citar algumas que ficaram de fora. Todas são merecedoras, mas a Academia tem a chance de fugir da obviedade premiando um trabalho mais autoral e moderno. Refiro-me às composições eletrônicas viciantes do frontman do Nine Inch Nails em parceria com o músico Atticus Ross para o “filme do Facebook”.


MELHOR MAQUIAGEM



Vai vencer: Minha Versão do Amor

Votaria em: Abstenção

Aqui só me resta palpitar, porque dos 3 indicados, só assisti “O Lobisomem”, que sai na frente como a principal aposta entre a maioria. Mas tanto “Caminhos da Liberdade” quanto “Minha Versão do Amor”, filmes que não dependem exclusivamente deste departamento para contar suas histórias, foram bem recebidos e podem surpreender na premiação. É o que espero. Sem contar que “O Lobisomem” é uma caganeira, né?


MELHOR MIXAGEM DE SOM

"The Social Network" Sound for Film Profile from Michael Coleman on Vimeo.

Vai vencer e Votaria em: A Rede Social

Outra categoria bem formada, mas que ficaria irretocável com a presença de “Tron – O Legado” e “Cisne Negro”. O padrão da Academia é premiar os mais barulhentos, mas o design sonoro de “A Rede Social” é fora de série. Os diálogos bem definidos e encorpados sonoramente – um filme majoritariamente concentrado em conversas – em combinação perfeita com a riqueza da trilha sonora bem encaixada resultam em um trabalho soberbo. “A Origem” tem grandes chances de se consagrar, o que não seria injusto de forma alguma. Mas lembramos que foi o filme dos Coen que venceu o sindicato. Aí a situação fica mais apertada...


Vai vencer e Votaria em: A Origem

Finalmente “Tron” consegue entrar em alguma coisa! Mas não é páreo para os efeitos sonoros fabulosos concebidos por Richard King, cada vez mais próximo de sua terceira estatueta dourada. “Como Treinar o Seu Dragão” e “Cisne Negro” mandaram lembranças.


MELHORES EFEITOS VISUAIS



Vai vencer e Votaria em: A Origem

Quase não dormi tentando decidir em qual votaria... mas não há dúvidas de que o Troféu Abacaxi vai para “Além da Vida”, que só entrou na categoria por uma única cena (redundante, mas devo enfatizar), que é a do Tsunami, deixando “Tron” e “Scott Pilgrim Contra o Mundo” de fora. Porém, é no mínimo hilário ver um filme de Clint Eastwood indicado a Efeitos Visuais rs.


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL


"Algum leitor quer que eu cante na sua festa de aniversário?"

Vai vencer e Votaria em: “We Belong Together” (Toy Story 3)

Se antes achava a categoria bem irregular, com o tempo, aprendi a gostar das músicas indicadas – algumas foram vencidas pelo cansaço, confesso. Essa é uma das categorias mais difíceis de se prever, é chute de trivela. Eu aposto que Randy Newman leva o seu segundo, porém não se deve descartar a possibilidade de ser batido pela Rapunzel, do alpinista amputado ou pela a cantora country decadente. Aqui é questão de gosto pessoal mesmo, não tem muitos critérios para escolher o vencedor. Pra falar a verdade, sou indiferente a qualquer que seja o escolhido dessa categoria. Qualquer um está valendo.


PODCAST

Participei junto aos companheiros Klerky Washington e Alessandro Zanchin, do blog Mise-en-Cine, de um podcast especial com as previsões ao Oscar de todas as categorias. Para ouvir, clique aqui.


E pra não perder o bom humor, nem piada, nem o espaço, aqui um vídeo do que alguns esperam da cerimônia deste ano:


16 de jul. de 2010

Imagem da Semana - "Pânico" (1996)


“Do you like scary movies?” Eu tinha uns 7 anos de idade quando vi todo o mundo se rendendo ao Ghostface, “investindo” toda a mesada na fantasia completa ou insistindo a mãe para comprar a máscara em promoção por R$15,90 nas Americanas – isso me soa familiar. Devido ao sucesso instantâneo e inesperado de um terror adolescente original e cativante, não só as festas à fantasia ganharam novas vestimentas, mas o cinema de terror recebeu novos direcionamentos a partir do lançamento de “Pânico”. Os estúdios viram que a fórmula havia funcionado novamente, e o filme de Wes Craven impulsionou o mercado de horror movies norte-americanos, originando uma série de filmes do gênero, cujas principais vítimas eram jovens estudantes urbanos que estavam na transição do Ensino Médio para a faculdade. Dentre alguns produtos dessa safra do terror adolescente, destaco “Premonição”, “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”, “Lenda Urbana”, “O Dia do Terror”, “Comportamento Suspeito” – e embora essas películas pertencessem a uma febre momentânea, várias continuações desses mesmos filmes ainda são lançadas, como “Premonição 4” neste ano, “Pânico 4” com previsão de estreia para 2011 e esses dias, explorando a videolocadora, me deparei com “Eu Sempre Saberei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”. I rest my case.




Ainda que esses filmes tenham conquistado relativo sucesso nas bilheterias, nenhum deles foi superior em qualidade ao verdadeiro precursor dessa nova onda. A personagem Casey Becker ilustra a Imagem da Semana em uma foto clássica e icônica de “Pânico”. Ao receber uma ligação anônima de um rapaz misterioso, a loira recebe as cantadas dele como parte de um joguinho sacana, mas logo o verdadeiro motivo pela ligação é revelado: “ver como ela é por dentro”. Da doce garotinha de “ET” para a primeira vítima estripada pela faca afiada do assassino mascarado, Drew Barrymore teve sua carreira catapultada para o sucesso novamente depois de sua curta, mas inesquecível participação no filme. Após o envolvimento com drogas enquanto adolescente e o afastamento do cinema, conquistou a fama novamente e se reergueu no mercado de Hollywood, embalando alguns hits posteriores a “Pânico”, como “Afinado no Amor”, “Para Sempre Cinderela” e “Nunca Fui Beijada”. Pode-se dizer que de todo o elenco do filme original, justo a primeira a ser assassinada teve maior visibilidade no cinema.

Um dos pontos destacáveis em “Pânico” concentra na homenagem que o filme de Wes Craven tece a vários outros clássicos do gênero. O próprio jogo do assassino se refere a vários filmes imortais do terror, sem contar que o personagem interpretado pelo ator Jamie Kennedy, em certo momento, cita um manual do que não pode ser feito nos filmes de terror e enumera algumas dessas regras (não ficar isolado, não dizer “eu volto já”, não fazer sexo). O mais engraçado é que “Pânico” propositalmente se vale de todos esses clichés para construir a sua trama, revelando-se um terror adolescente eficiente, como há muito tempo não é feito em Hollywood.



PODCAST

Meu companheiro de comunidade de Orkut, Alessandro Zanchin, me convidou para participar de um podcast, cujo tema era justamente “cenas marcantes”. Eu escolhi essa cena e o meu comentário em áudio – e uma sequência do próprio filme – pode ser ouvido aqui. Minha parte começa a partir dos 14:40. Também participaram desse podcast, os cinéfilos Renan (“Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”); Vivi, do blog Cinefilando (“Moulin Rouge!”); Thiago (“Clube da Luta”); Bruno (“Menina de Ouro”) e o próprio Alessandro (“A Vila”).

5 de mar. de 2010

Podcast Apostas Oscar 2010


Trata-se de um podcast especial de uma comunidade do Orkut, do qual sou dono. Nem eu, nem os demais participantes do blog – Paulo e Maurício – participamos desta edição especial, que é referente aos lembrados, esnobados e possíveis vencedores do Oscar 2010. Eu não pude estar presente no dia da gravação, mas fui responsável pela edição do podcast, que pode ser baixado nos links que seguem abaixo.


PARTE 1

http://www.4shared.com/file/234678445/321125d3/PODCAST_CINEMA_E_SEUS_PRMIOS_-.html

PARTE 2
http://www.4shared.com/file/234896929/c0f50f/PODCAST_CINEMA_E_SEUS_PRMIOS_-.html


Os participantes desse podcast foram:

Alessandro;
Vivi, do
Cinefilando;
Bruno;
Jonathan, do
Bloganimazonando;
Chermont.



E em quem vocês apostam no próximo domingo?