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9 de mai de 2010

Cinelista: As 10 Piores Mães do Cinema

Em comemoração ao Dia das Mães, vários cineblogs e alguns sites especializados elaboraram listas com as mães mais queridas da Sétima Arte. O Pós-Première preferiu ir à contramão. Abaixo, está uma lista pessoal das mães mais megeras do cinema, que assombraram sem piedade a vida de suas proles. Foi árdua a tarefa de selecionar e classificar cada uma em decrescente grau de maldade, mas algumas considerações facilitaram o processo:

1 – As mães presentes na lista devem ser um pesadelo para os próprios filhos, exclusivamente – claro, podem ser intragáveis com terceiros, mas o maltrato com a prole é o que conta. Por isso, mães psicopatas como Pamela Vorhees (Betsy Palmer em “Sexta-Feira 13”) e Beverly Sutphin (Kathleen Turner em “Mamãe é de Morte”) não foram inclusas, já que a primeira, a sede de matar é despertada em vingança da morte do filho; enquanto a outra é uma exemplar dona de casa, mas uma serial killer nas horas vagas;

2 – Madrastas não são mães;

3 – A forma como a descarga de ódio refletiu na vida dos filhos. É importante considerar a maneira com que cada um foi afetado pelas agressões das próprias mães, mas sem excluir as barbaridades executadas pelas mesmas. Por exemplo, a famosa Mrs. Robinson (Anne Bancroft) proporcionou “A Primeira Noite de Um Homem” ao namorado da própria filha, mas, embora essa sacanagem seja motivo suficiente para figurá-la na lista, a Robinson-filha (Katharine Ross) demonstra indiferença. Essa é a explicação de sua exclusão.


10) Marietta Fortune – Diane Ladd em “Coração Selvagem” (1990)

Vítima: Lula Fortune (Laura Dern)

Uma das figuras mais ilustres do hall de personagens excêntricos de David Lynch, Mrs. Fortune é uma bruaca sem escrúpulos, lunática e perversa. Rendida à vaidade e exibindo egoísmo extremo, fez uma tentativa frustrada de assassinar o namorado da própria filha, inicialmente seduzindo-o. Não obstante, Marietta foi capaz de contratar assassinos para matar o rapaz, pois teme que ele conte algumas verdades à jovem que envolve o passado pecaminoso da mãe. Mesquinha, ensandecida e com uma aparência assustadora, só faltaram os chifres na foto acima para que Marietta Fortune fosse o diabo em pessoa – e, claro, algumas toneladas de batons vagabundos.

9) Regina Giddens – Bette Davis em “Perfídia” (1941)

Vítima: Alexandra Giddens (Teresa Wright)


Regina Giddens é a personificação da ganância. A mulher é capaz de tudo para ganhar dinheiro, inclusive selar a infelicidade da própria filha ao arranjar seu casamento com o primo ricaço. Sem contar que Mrs. Giddens é uma megera manipuladora e falsa, que detém o controle das pessoas que a rodeiam, desde os irmãos até o marido debilitado, cuja morte é assistida de camarote pela viúva negra. Egocêntrica a ponto de não se preocupar em estabelecer um laço familiar com os seus entes, a mãe assina o termo de condenação da filha à frustração eterna, simplesmente para que suas próprias ambições financeiras sejam atendidas. Regina é o câncer da família Giddens.


8) Mrs. Lift – Anne Ramsey em “Jogue a Mãe do Trem” (1987)

Vítima: Owen Lift (Danny DeVito)

“Idiota”, “gordo estúpido” e “imprestável” é uma pequena amostra de termos utilizados pela lendária Mrs. Lift quando se refere ao filho, além da quantidade de carinhosas frases proferidas com delicadeza (“Você comeu merda?”, “Pain in the ass!”). O pobre Owen carrega o fardo de viver com a mãe até o dia que ela morrer, algo que o infeliz vislumbra constantemente – seja oferecendo-lhe veneno em vez de refrigerante ou atravessando uma tesoura na cabeça da velha intragável. E não é pra menos. Mrs. Lift surge como uma mistura de Gremlins com o Abominável Homem das Neves – clássico episódio de Chapolin –, parecendo disposta a amargar eternamente a vida do filho. “Jogue a Mãe do Trem” é uma versão de comédia de “Pacto Sinistro”, de Hitchcock, mas, embora leve o espectador a gargalhadas, o explorado Owen Lift não vê graça nenhuma.


7) Mrs. Iselin – Angela Lansbury em “Sob o Domínio do Mal” (1962)

Vítima: Raymond Shaw (Laurence Harvey)


“É terrível odiar a própria mãe”, diz Raymond Shaw, o filho amargurado, a um dos personagens do filme sobre a própria genitora. Fria e interesseira, Mrs. Iselin usa abertamente a desgraça alheia para tentar subir na vida, fazendo de tudo para evitar as adversidades que possam atrapalhar a candidatura de seu atual marido à presidência dos Estados Unidos. Nem o filho escapa. Aproveitando-se do infortúnio que acontecera ao rapaz durante a Guerra da Coréia, em 1952, ela o usa como “assassino particular”, a fim de matar os seus principais oponentes políticos, inclusive a mulher que seu filho outrora era apaixonado. Orgulhosa e calculista, Mrs. Iselin é um desperdício de oxigênio.


6) Margaret White – Piper Laurie em “Carrie, a Estranha” (1976)

Vítima: Carrie White (Sissy Spacek)


Obcecada pelas doutrinas religiosas e cega pela fé abundante, Margaret White paga de boazinha e fiel a Deus, mas é o demônio em forma de mulher. Ela atormenta a pobre Carrie em qualquer circunstância, trancafiando-a em um quarto minúsculo para rezar e pedir perdão pelos pecados cometidos. Ignorante a ponto de obrigar a filha a uma sessão de orações incessantes pelo fato de a garota ter menstruado (!), Mrs. White ainda ofende verbalmente e grita com a jovem Carrie, arrasta-a pelos cômodos da casa e, por vezes, espanca a pobre garota. Tudo, segundo ela, em nome de Deus. Perto da mãe, Carrie é a pessoa mais normal do mundo.


5) Charlotte Andergast – Ingrid Bergman em “Sonata de Outono” (1978)

Vítima: Eva (Liv Ullmann)

Durante o filme, não testemunhamos nenhuma das atrocidades cometidas pela megera Charlotte Andergast, uma pianista workaholic e obcecada pela fama, que dedicou sua vida ao trabalho, relegando a família a segundo plano. No entanto, acompanhamos uma lavagem de roupa suja anos depois entre mãe e filha, e notamos o trauma e o abalo psicológico que a rigidez e desaprovações da mãe causaram na pobre Eva. Quem disse que as piores mães são aquelas que agridem fisicamente? Mrs. Andergast pode nunca ter relado a mão na(s) filha(s), mas sua omissão e falha como desempenho materno causou danos irreparáveis na vida dessas mulheres.



4) Vera Cosgrove – Elizabeth Moody em “Fome Animal” (1992)

Vítima: Lionel Cosgrove (Timothy Balme)

Dominadora, folgada, um ser humano sem recuperação social, Mrs. Cosgrove é uma mulher abominável. Ela trata o próprio filho como um escravo ao proibi-lo de se relacionar com outras mulheres para, assim, deter domínio total sobre o rapaz. Porém, quando Lionel combina de se encontrar escondido com uma garota no zoológico, sua mãe acaba descobrindo-o e os seguem. Lá, Mrs. Cosgrove é mordida por uma espécie de macaco-ratazana (!) e vira... uma zumbi! Se antes, ela já repudiava o próprio filho, agora, ele – e qualquer cidadão comum – se transforma em um aperitivo para a morta-viva. Não é (e, talvez, nunca foi) sangue que corre pelas veias de Mrs. Cosgrove.


3) Mary Jones – Mo’Nique em “Preciosa – Uma História de Esperança” (2009)

Vítima: Clareece ‘Precious’ Jones (Gabourey Sidibe)


Poucos personagens no cinema contemporâneo foram tão odiados pelo público como a monstruosa Mary Jones. Traiçoeira e denunciando falta de higiene preocupante, a mulher engana as repartições públicas e sobrevive da renda doada pelo Serviço Social para famílias menos favorecidas. Porém, é o seu relacionamento com a filha que eleva o repúdio sentido pelos espectadores à máxima potência. Mrs. Jones tem inveja da filha, pois observa que a garota tem força de vontade e esperança de sair da situação que se encontra. Para oprimi-la, a mãe tirana atormenta Precious verbalmente e fisicamente, tornando-a sua escrava pessoal, e chegando ao cúmulo de não lhe prestar socorro ao ver a garota sendo estuprada pelo próprio pai.

2) Joan Crawford – Faye Dunaway em “Mamãezinha Querida” (1980)

Vítima: Christina Crawford (Mara Hobel / Diana Scarwid)


Joan Crawford foi uma das grandes estrelas da conhecida Era de Ouro de Hollywood. Vencedora do Oscar, Crawford era uma das atrizes mais queridas pelo público e disputada pelos principais diretores. Dentro de casa, a história já era bem diferente. A situação era tão crítica que sua filha adotiva, Christina, escreveu um livro após a morte da mãe para desmistificar a figura de Crawford, que espancava os filhos e torturava-os psicologicamente, chegando à insanidade de amarrá-los à beira da cama e fazer um circo por conta de um mísero cabide de metal. Há pessoas que discordam abruptamente do filme, considerando-o exagerado, como Bette Davis, rival declarada da atriz. Já outros confirmam a rigidez e perversidade de Joan Crawford, e acrescentam que o maior papel de sua vida foi a própria vida.


1) Norma Bates – Atriz não revelada em “Psicose” (1960)

Vítima: Norman Bates (Anthony Perkins)


“O melhor amigo de um garoto é a própria mãe”. Só quem assistiu a este clássico absoluto de Alfred Hitchcock sabe o poder que Mrs. Bates detinha sobre o pobre Norman.

9 comentários:

Francisco Brito disse...

Senti falta de Catarina de Médici,a bruxa em forma de mãe vivida de forma impecável por Virna Lisi em "A Rainha Margot".

E Mrs. Iselin é msm o demônio. Grande Angela Lansbury!

cabaretcinefilo disse...

O mais incrível é que eu não vi nenhuma dessas mães com, a não ser Preciosa! Que Triste! rs

Reinaldo Glioche disse...

Eu não faria uma lista melhor.Talvez mudasse uma ou outra posição, mas o casting é formidável. Parabéns por essa "homenagem" ao dia das mães.
ABS

Santiago. disse...

Ótimo post Elton. Me fez lembrar cenas incríveis, como por ex. a que Charlotte Andergast toca piano ao lado da filha (Eva), sensacional!, coisas que só o Bergman poderia proporcionar.

Só uma coisa, acho que o papel onde a Bette Davis fez a mãe mais maldita foi em Mr. Skeffington (Vaidosa, 1944), não que a Regina Giddens fosse peça boa, hehe.

Grande Abraço!

Anônimo disse...

Genial!

Alan Raspante disse...

Òtimo post, pena que não vi muitas e algumas lembro apenas vagamente, a não ser a [peste] mãe da preciosa. rs
PS: Muito bacana teu blog, coloquei em minha lista de blogs cinéfilos !
cinemapublico.blogspot.com

Elton Telles disse...

Chico: Não assisti a "Rainha Margot", talvez por isso que ela tenha ficado de fora. Em compensação, temos a monstruosa Angela Lansbury.


Cabaret: corra atrás! São filmes indispensáveis - tá, exceto um ou outro. Além de trazer atuações fantásticas - com exceção de um ou outro - a maioria dos filmes listados valem muito a pena ver, e não digo apenas pelas atrizes ;)


Reinaldo: Valeu, cara! Elas também merecem, coitadas rs.


Santiago: fiquei em dúvida em qual filme colocar Bette Davis, entre "Perfídia" e "Vaidosa", mas REgina Giddens falou mais alto. Não apenas uma mãe megera, mas uma mulher capaz de tudo para chegar a seus objetivos. Ah, os Bergmans não poderia deixar de estar. A cena do piano é sensacional, como você bem disse.


Poxa, "Anônimo", valeu! rs


Alan: Obrigado pela visita e pelo comentário, Alan. Também te linko.


ABS!

bruno knott disse...

Cara, excelente lista... ri demais!

Hhauhauha...

Pra mim a pior mãe é a Mary Jones, pq as atitudes dela ainda estão bem frescas na minha memória!

Totalmente do mal essa mulher.

dialogandocinema disse...

Discordo da presença de Mrs. Bates nesta lista. Pois sabemos que Norman apresentava traços de Esquizofrenia Paranóide, Distúrbio Esquizoafetivo, Psicopatia e Psicose, que segundo a história apareceram quando a mãe viúva encontrou um outro parceiro - justificando a etiopatogenia dessas enfermidades apartir da teoria em voga naquela época, o modelo estresse-diátese.
O que quero dizer é que, quando ainda viva, era Norman, devido aos seus quadros patológicos (no caso, principalmente a Psicopatia), quem detinha poder sobre Mrs. Bates, e dificilmente o contrário.
Um abraço.