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1 de dez de 2010

Cinema Falado Novembro 2010 - Sociedade dos Cineastas Mortos



DINO DE LAURENTIIS (1919 – 2010)

Atualmente, eu percebo que a figura do produtor é injustamente negligenciada pelas pessoas. Muitos sequer sabem a verdadeira função que os produtores – incluindo os executivos – exercem para o andamento de um filme, nem desconfiando que, se não fossem por estes profissionais, o projeto nem mesmo existiria. Ou até poderia sair do papel, mas em uma versão bem sucateada. Fato é que alguns se tornaram muito conhecidos no decorrer da história do cinema, pelo seu talento, popularidade ou pelo seu temperamento autoritário. Alguns nomes que me lembro de cabeça são Stanley Kramer, Irwin Allen, David O. Selznick e Bob Rafelson, sem contar muitos profissionais de outras áreas que desempenharam este mesmo papel no desenvolvimento do longa, como é o caso de Warren Beatty, que produziu basicamente todos os filme que atuou nas últimas três décadas. Enfim, mas um dos mais ilustres certamente é o italiano Dino De Laurentiis, que exibe um currículo invejável e deixou meio mundo com inveja por ter se casado com um dos mais belos pares de pernas do cinema: Silvana Mangano. Aos 91 anos, De Laurentiis foi para a melhor e o Cinema Falado não poderia deixar passar em branco, concedendo-lhe uma pequena homenagem pela sua imensa contribuição para a Sétima Arte. Fellini, Rossellini, Bergman, Lynch, Lumet, Friedkin, Milos Forman, Cronenberg, Michael Mann e até Sam Raimi no início de carreira. Um legado e tanto. Nós, cinéfilos, só temos a agradecer.

Ouça o programa aqui.


AKIRA KUROSAWA (1910-1998)

Chamem do que quiser, mas eu concordo com aquele outro que diz: “Quem não gosta de Hitchcock e Kurosawa, certamente não gosta de cinema”. Isso não quer dizer que os dois são os melhores cineastas que já existiu – embora, certamente, ambos figurem nessa lista –, mas são dois exemplos de diretores que exploraram verticalmente a linguagem do cinema e acionaram suas potencialidades. Grande nome do cinema japonês, Kurosawa começou sua carreira como assistente de direção até em 1943 assumir a condução de “A Saga do Judô”. Mas só sete anos depois, seu nome seria reconhecido mundialmente com o lançamento do fenomenal “Rashomon”, estrelado pelo seu ator preferido, Toshirô Mifune. Daí pra frente, todos já conhecem a história: uma filmografia exemplar que mescla épicos de narrativas clássicas (“Ran”, “Kagemusha”...) e projetos menores, mais pessoais (“Viver”, “Dodeskaden – O Caminho da Vida”...). Servindo como base de inspiração para grandes filmes de Hollywood como “Star Wars” (“Céu e Inferno”) e “Sete Homens e Um Destino” (“Os Sete Samurais”), Kurosawa conseguiu o apadrinhamento depois de grandes sucessos de pessoas influentes como Steven Spielberg e Francis Ford Coppola no final da carreira, o que rendeu algumas pequenas obras, mas ainda indispensáveis. 2010 marca o centenário de Kurosawa, mas não precisa de uma data comemorativa para falar de um dos maiores cineastas da História.

Ouça o programa aqui.


DENNIS HOPPER (1936-2010)

Em maio deste ano, em consequência de câncer de próstata, o ator e diretor Dennis Hopper morreu, aos 74 anos. Considerado uma das figuras mais controversas e polêmicas de Hollywood, Hopper tinha James Dean como o seu próprio role model, tendo conhecido o galã durante as filmagens de “Juventude Transviada” e repetido a parceria no oscarizado “Assim Caminha a Humanidade”. Sendo assim, pode-se dizer que Hopper não era lá um bom moço, muito pelo contrário, foi justamente o seu comportamento “porra louca”, sua agressividade (espancava as namoradas e suas quatro esposas) e seu temperamento instável – para não dizer outra coisa – que fez dele uma figura tão marcante. Mas, o que muitos devem se perguntar é: agindo dessa forma, como ele fez carreira? Oras, além do talento comprovado em filmes como “Veludo Azul” e “O Selvagem da Motocicleta”, Hopper dirigiu, roteirizou e protagonizou uma das grandes obras da contracultura norte-americana, “Sem Destino”, dividindo a cena com Peter Fonda e um jovem Jack Nicholson. Somando sua rebeldia “sem causa”(?) a este grande filme, Hopper se tornou um símbolo do movimento de contracultura dos EUA. Assim, o status também o ajudou bastante a transformá-lo na figura icônica que virou. Dirigiu filmes menores e dispensáveis e depois atuou em tantas outras baboseiras como “Waterworld” e “Os Irmãos Id & Ota”, mas nada que apagasse o talento de um dos homens mais odiados e reverenciados de Los Angeles durante a década de 1970.

Ouça o programa aqui.


O Cinema Falado é um programa semanal transmitido pela Rádio Universitária Cesumar. Atualmente na 5ª temporada, toda sexta-feira o trio de apresentadores cinéfilos – eu, Thiago Ramari e Marcelo Bulgarelli – seleciona um filme para que seja colocado em discussão, contanto que o escolhido se enquadre dentro da série mensal estabelecida pelos produtores. Tentando ser justo em abranger os diversos segmentos cinematográficos, o Cinema Falado não se restringe a filmes comerciais, nem aos considerados cult, pois tudo faz parte do mesmo balaio dessa arte que todos nós adoramos – uns mais que outros, mas viver de preconceito pra quê? Desde Bergman até Michael Bay, tudo que envolve o mundo do cinema é assunto para um papo descontraído e com muito bom humor. Para dar um toque especial, a trilha sonora do filme em questão acompanha a conversa de fundo e algumas canções/composições são ouvidas durante os intervalos.

O ouvinte é peça fundamental do programa, afinal a participação e interação de outros cinéfilos é deveras importante para buscarmos novos horizontes acerca do mesmo tema. Sinta-se livre para indicar os filmes e participe também do nosso programa.


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7 comentários:

Amanda Aouad disse...

Adorei o nome Sociedade dos Cineastas Mortos, hehe. Legal o programa, dinâmico, interessante. Parabéns. Só não consegui ouvir o de Dino de Laurentiis, deu erro.

bjs

Hugo disse...

A figura do produtor é importante tanto para o sucesso, como para o fracasso de um filme.

Você citou figuras importantes, mas há algum tempo que Hollywood está cheia de produtores que pensam apenas no lucro fácil, sendo este um dos motivos da quantidade enorme de refilmagens e fórmulas repetidas ao extremo.

Abraço

Cássio Bezerra disse...

Tudo muito bem (re)lembrado, meu caro.

"seu comportamento PORRA LOUCA" HUHAUAHAUHAHUAHUA

Grande abraço.
;)

Rodrigo Mendes disse...

ELTON: meu caro você tem tutano para postar sobre cinema. Poxa adorei o título também e a lembrança que fizeste destes saudosos artistas do cinema.

Não é atoa que te dei um selo. Prêmio Dardos. O Pós Première merece. E parabéns pelo programa radiofônico!

Abs.
Rodrigo

Reinaldo Glioche disse...

Grande Elton. Parabéns! Primeiro pela justiça a figura do produtor tão negligenciada por cinéfilos e fãs. Segundo por recuperar dois cineastas que são de extrema importância para essa arte que tanto amamos, mas que, de alguma maneira, não ostentam essa importância na imaginário cinematográfico. Hopper, nesse cenário, é o mais emblemático.
E, finalmente, parabéns pq pela segunda vez que eu recebi um selo do prêmio Dardos eu estendo-o a você. E você bem sabe as razões.
Keep with the good work!

Ricardo Morgan disse...

Bom d+ o seu blog e vou favorita-lo!! Obrigado pelos elogios! O título do meu blog ainda é uma longa história e depois vou explicá-lo pra galera hehehe e a primeira imagem que me vei oa cabeça foi o Wall-e, que é um lixeiro em seu filme hehe! Um abraço

Elton Telles disse...

Amanda: Poxa, Amanda, muito obrigado por tudo. Tanto pelos elogios como por disponibilizar um tempo para ouvir nosso programa. Se ainda quiser ouvir o programa do Dino de Laurentiis, eu arrumei lá no 4shared qualquer eventual erro. Só passar lá =)


Perfeita colocação, Hugo. Assino embaixo. Só quis ressaltar o papel do produtor porque muitos sequer sabem qual a função dele na produçã ode um filme, e ele é uma figura básica.


Valeu pelo comentário, Cassio! ;D


Rodrigo: ow velho, obrigado mesmo! O mesmo eu digo de ti. Já agradeci o selo lá no seu espaço. Mas de qualquer forma, obrigado novamente pelo reconhecimento.


Reinaldo: wow! Valeu, Reinaldo. Obrigado pelas palavras. Quanto aos cineastas, são figuras importantíssimas que não podem ser esquecidas. O Cinema Falado tinha a obrigação de lhe prestarem homenagens =)


Dae Ricardo! Já estás no meu blogroll tbm.


ABRAÇO A TODOS!